Eu amo-Vos Jesus pela multidão que se abriga dentro de vós, que ouço, com todos os outros seres, falar, rezar, chorar, quando me junto a Vós.
TEILHARD DE CHARDIN

terça-feira, 17 de dezembro de 2013

Boas Festas

Santo Natal do Senhor!


deseja a aria

domingo, 15 de dezembro de 2013

Pai nosso

Rembrandt


Pai nosso-disse Jesus para chamarmos o Seu Abba...e que seja santificado o Seu nome...Sim,eternamente santificado o Seu Nome de Pai...que nos concede por Jesus a filiação divina,a protecção sem fim,o Amor absoluto.

segunda-feira, 9 de dezembro de 2013

MARIA


Ajuda-nos a permanecer na escuta atenta da voz do Senhor: / o grito dos pobres nunca nos deixe indiferentes, / o sofrimento dos doentes e de quem passa por necessidade não nos encontre distraídos, / a solidão dos idosos e a fragilidade das crianças nos comovam, / toda a vida humana seja por todos nós sempre amada e venerada.
Papa Francisco

sábado, 30 de novembro de 2013

A alegria que vem do Evangelho

Sobre a exortação apostólica do Papa Francisco uma súmula:



 
1. O Papa Francisco não é diluente. Afinal, o Papa Francisco até se mostra muito acutilante e bastante exigente.
Não abandona nenhum elemento da doutrina. E insiste imensamente no testemunho de vida.

2. É preciso que a Igreja deixe de se referir a ela mesma. É fundamental que a Igreja saia, que vá ao encontro.
Que pare junto das pessoas. Que, sem excluir ninguém, dê prioridade aos mais pobres, aos que estão nas periferias.

3. O Papa não quer uma Igreja sentada, consumindo o tempo apenas em congressos, simpósios e reuniões.
Ele pretende uma Igreja de joelhos e de pé. Enfim, uma Igreja orante e caminhante.

4. Neste sentido, prefere «uma Igreja acidentada, ferida e enlameada por ter saído pelas estradas, a uma Igreja enferma pelo fechamento e a comodidade de se agarrar às próprias seguranças».
Decididamente, ele não quer «uma Igreja preocupada com ser o centro, e que acaba presa num emaranhado de obsessões e procedimentos».

5. Para isso, é urgente que a Igreja emagreça as estruturas. É imperioso que o Evangelho perpasse, que nunca se desfaça e que sempre nos refaça.
É decisivo que as energias se gastem na missão e não se desgastem em tantas adiposidades que os séculos foram introduzindo.

6. A leveza do Evangelho reclama uma cura da obesidade burocrática que tão aprisionados nos retêm.
Não raramente, parece que vivemos entalados entre uma bulimia funcionalista e uma anorexia vivencial.

7. O Papa oferece-nos uma exortação apostólica, mas o seu impacto não será seguramente inferior ao de uma encíclica.
É um texto que vem na sequência do Sínodo dos Bispos. Mas as marcas impressivas de Francisco estão lá.

8. A «Evangelii gaudium» é, além do programa de um pontificado, uma espécie de «manifesto contra o instalamento».
Ela convoca-nos para a renovação da Igreja e para a transformação da humanidade.

9. Num mundo diferente, a Igreja não pode ser indiferente.
Ela tem de fazer coro com quem diz «não a uma economia da exclusão e da desigualdade social. Esta economia mata. Não é possível que a morte por enregelamento dum idoso sem abrigo não seja notícia».

10. No deserto em que o mundo se tornou, os cristãos são chamados a ser «pessoas-cântaro para dar de beber aos outros».
Assim imitaremos Jesus, «o evangelizador por excelência e o Evangelho em pessoa, que Se identificou especialmente com os mais pequeninos (cf. Mt 25, 40)».
Pe. João Teixeira
Publicado aqui

segunda-feira, 4 de novembro de 2013

Nuvens

No meio das nossas nuvens a oração é um bálsamo..não estamos sós...

terça-feira, 29 de outubro de 2013

Uma folha cai


Uma sociedade esvaziada de Deus não parece ter ficado melhor

AQUI

quinta-feira, 17 de outubro de 2013

Como Jonas

Brueghel,o Velho
Estamos na escuridão do bojo de um grande peixe e sem sabermos qual a direita e a esquerda, como aquele povo de Ninive,de quem o Senhor se apiedou...

quinta-feira, 26 de setembro de 2013

Ficarei convosco...




Jesus disse que ficava connosco até ao fim dos tempos...bem precisamos porque também ficaram os hipócritas,os fariseus,os doutores da lei,os levitas e sacerdotes que passam de lado...e quantas vezes não seremos nós mesmos.

Tende piedade de nós, Senhor!

sábado, 17 de agosto de 2013

Quanto ao mais...

“Quanto ao mais, irmãos, tudo o que é verdadeiro, tudo o que é honesto, tudo o que é justo, tudo o que é puro, tudo o que é amável, tudo o que é de boa fama, se há alguma virtude, e se há algum louvor, nisso pensai.” (Filp 4,8)

quinta-feira, 15 de agosto de 2013

Nova Elegia a Maria na sua Assunção


A jovem Maria de Nazaré ,como todas as meninas da sua idade, esperava o Messias, que havia de nascer no seu país e de uma delas.

Assim foi surpreendida pelo anúncio feito por Gabriel, que iria conceber um Filho,mas  por intervenção divina,que o seu Filho seria o Adonai,o Senhor,o Princípe da paz, que sobre os que caminhavam nas trevas e sombras da morte ia acender-se uma luz brilhante. Jesus era o seu nome.

Ao tomar conhecimento que a Prima, já de idade,também esperava um filho não hesitou em saír, à pressa, em sua ajuda, cheia das boas noticias para lhe dar.

E o hino à glória de Deus, que se haveria de manifestar na libertação do seu povo oprimido, saiu da sua boca com a força da Presença que a envolvia:aos humildes havia de ser feita justiça ,os
famintos seriam saciados e a sua terra seria protegida, como um menino, pelo Eterno.

O mesmo clima de grande esperança, em novas realidades de paz e saciedade, seriam cantadas pelos pastores, que acorreram ao nascimento do seu Filho.

Mas Maria brevemente iria ser confrontada com a dolorosa previsão de Simeão, com a interrogadora preferência de Jesus pelos assuntos de seu Pai.

Então Maria teve que ir caminhando,como nós,no conhecimento do que significa não apenas ser Mãe de Jesus,mas discipula de um Messias que não se conformava com a estreiteza de planos de sucesso meramente políticos e de horizontes limitados.

Gradualmente compreendeu também que aquele jovem que lhe fora submisso ,alargava os laços humanos que o haviam ligado a ela,  a todos e todas que faziam a vontade de Deus .No seu coração calava todas estas coisas  e dolorosamente fazia o seu aprendizado de seguidora fiel do  Filho,que lhe pedia esse distanciamento,para ser Autor da completa libertação dos homens num Reino de justiça,de dignidade e de paz,que tinha que ser enraizado nos próprios corações.

Quando O teve que entregar à cruz naquela sombria tarde de começo de Pessah viu dilatar-se a sua maternidade de um só Filho,para as fronteiras imensas de toda a Humanidade,a quem havia de amar, como Ele nos amou e mandou amar.

E agora  já forte,recebendo o Filho  Ressuscitado,participou  como os companheiros do Filho da vibrante manhã do Espírito Santo.

Mariazinha de Nazaré,quanto estás próxima de nós em cada dia que nos é dado, com as suas angústias e perplexidades. Aprendemos  contigo  o que é realmente ser discípulo de Jesus.

segunda-feira, 22 de julho de 2013

Tão simples...

"Passou fazendo o bem..." tão simples como isso para seguir Jesus...

quarta-feira, 26 de junho de 2013

no meio de açucenas


.....

Fiquei-me e esqueci-me,o rosto inclinado sobre o  Amado; 
cessou tudo e rendi-me,
deixando meu cuidado em meio de açucenas olvidado.

S.João da Cruz

segunda-feira, 24 de junho de 2013

Hoje...

Para ti, Senhor ,vai o primeiro pensamento do dia...



"Eu te louvarei, porque de um modo tão admirável
e maravilhoso fui formado;
maravilhosas são as tuas obras,
e a minha alma o sabe muito bem.

Os meus ossos não te foram encobertos,
quando no oculto fui formado,
e esmeradamente tecido como nas profundezas da terra.

Os teus olhos viram o meu corpo ainda informe,
e no teu livro todas estas coisas foram escritas;
as quais iam sendo diariamente formadas,
quando nem ainda uma delas havia.

E quão preciosos me são, ó Deus, os teus pensamentos!
Quão grande é a soma deles!

Se eu os contasse, seriam mais numerosos do que a areia;
quando acordo ainda estou contigo. Salmo 139 "


Obrigada,Senhor!

sábado, 22 de junho de 2013

Dai-nos, Senhor ,um coração que se entregue...




Quando orares, entra no teu quarto, fecha a porta e ora ao teu Pai em segredo. (Mt 6,6)


A  vida de hoje em que o tempo é um bem precioso e cada vez mais escasso,em que as obrigações profissionais e familiares exigem tanto de nós é muitas vezes difícil retirar-mo-nos para o nosso quarto e fechar a porta,para orar.

Mas há um quarto que sempre está disponível e próximo,qualquer que seja a nossa situação.

No nosso quarto interior,no  mais profundo do nosso ser ,entramos sempre que quisermos e em qualquer lugar ou tempo .

É no  nosso  coração que está o maior  tesouro. Certamente, onde estiver o meu tesouro, aí também estará o meu coração (Mat. 6:21) e a palavra de Deus 835 vezes cita o coração como  centro da pessoa humana.,nele se faz o nosso equilíbrio interior ou exterior e é sempre usado para simbolizar o mais importante, o mais íntimo, o mais essencial  de nós.

É nele que podemos retirarmo-nos em oração como se de cela de mosteiro se tratasse,fechando a porta aos pensamentos e ideias ,para abandonarmos a alma ,numa entrega de si mesma ao convívio pleno com o Amado.

E aí vigilantes na esperança,confiantes na misericórdia voltamos e voltamos até "que desponte o dia e a estrela da manhã brilhe em nossos corações". (2 Ped 1,19)

quinta-feira, 20 de junho de 2013

Dai-nos,Senhor,um coração que Te escute...

Eis o meu Filho muito amado, em quem pus toda minha afeição; ouvi-o. (Mt 17,4)

Quando oramos falamos com Deus e Ele fala connosco,se bem que de um jeito diferente do nosso. O salmo 24 diz-nos ,na sua sabedoria milenar,para estarmos abertos à sua PRESENÇA. “14. O Senhor se torna íntimo dos que O temem, e lhes manifesta a sua aliança.”

Mas para O ouvirmos é necessário que o nosso coração se prepare.A escuta de Deus pede-nos uma rotura,um deixar das nossas dispersões. Deixemos as nossas vistas cheias das imagens do dia,as nossas preocupações,as memórias dos nosso trabalhos e exponhamos as nossas vidas inteiramente à misericórdia do Pai, sem que os nossos lábios ou nosso interior utilize fórmulas,articule palavras.Ele irá falar-nos no mais profundo do nosso ser.Façamos silêncio.

Maria,a doce mãezinha de Jesus e nossa,sempre nos ensina como proceder: Maria conservava todas estas palavras, meditando-as no seu coração (Lc 2,19).

E como a flor toma a cor,por estar exposta ao sol, assim os nossos corações ficarão cada vez mais conformes a Cristo à medida que cada vez mais e mais intensamente deixarmos a Sua Luz entrar e agir.

Dai-nos, Senhor um coração que Te escute na Palavra,nos nossos irmãos,no Espírito que habita em nosso peito!.

sábado, 15 de junho de 2013

Espírito Santo


Não sabes de onde vem nem para onde vai

Quem és tu, doce luz que me cumula
E ilumina as trevas do meu coração?
Tu me guias como a mão de uma mãe
E, se me largasses,
Eu não poderia dar nem mais um passo.
Tu és o espaço
Que envolve o meu ser e o abriga em ti.
Se o abandonasses, afundar-se-ia no abismo do nada,
De onde o tiraste para o elevares até à luz.
Tu, mais próximo de mim
Do que eu mesma estou,
Mais íntimo dos que as profundezas da minha alma
E, contudo, intocável e inefável,
Para além de todo o nome,
Espírito Santo, Amor eterno!
Não és tu o doce maná
Que, do coração do Filho,
Transborda para o meu,
Alimento dos anjos e dos bem-aventurados?
Aquele que se ergueu da morte à vida
Acordou-me também a mim
Do sono da morte para uma vida nova.
E, dia após dia,
Continua a dar-me uma nova vida,
Cuja plenitude um dia me inundará,
Vida saída da tua vida,
Sim, Tu mesmo,
Espírito Santo, Vida eterna!


Santa Edith Stein

sexta-feira, 14 de junho de 2013

uma declaração de amor


A vontade de Deus manifesta-se no  salmo 128: contemplar um dia todos os seus filhos, como rebentos de oliveira, ao redor da sua mesa .

Por isso e para isso nos escreveu uma longa carta de amor, que se estende por milhares de páginas..Nelas comunica o Seu amor por nós ,amor de tal maneira forte,que vai até ao ciúme.(Tg 4,5)

Uma carta de amor exigente e terno,que faz e renova uma aliança com o homem e que se desenvolve em gerações continuas até atingir a própria incarnação da Palavra,no Senhor Jesus. (João 1,14).

Uma declaração de amor que exprime de forma bem clara e afirmativa a Sua intervenção a nosso favor: "em todas as suas aflições. Não era um mensageiro nem um anjo, mas sua própria Face que os salvava. No seu amor e na sua ternura ele mesmo os livrava do perigo. Durante o passado sustentou-os e amparou-os constantemente". (Is 63,9)

Uma declaração de amor que conforta e anima: “De longe me aparecia o Senhor: amo-te com eterno amor, e por isso a ti estendi o meu favor". (Jr 31,3). "O Senhor teu Deus está no meio de ti como herói Salvador! Ele anda em transportes de alegria por causa de ti, e te renova no seu amor. Ele exulta de alegria a teu respeito" (Sf 3,17).

Uma declaração de amor que nos revela como a palavra do Senhor cura e fortalece: "Respondeu o centurião: Senhor, eu não sou digno de que entreis em minha casa. Dizei uma só palavra e meu servo será curado". (Mt 8,8). "Pela tarde, apresentaram-lhe muitos possessos de demônios. Com uma palavra expulsou ele os espíritos e curou todos os enfermos". (Mt 8,16)

Uma declaração de amor que nos tem como alvo absoluto,que pede a nossa adesão,o nosso abrir de coração à expansão da vida divina que nele habita.Que se faz alimento, em nós, como o pão de cada dia : "Jesus respondeu: Está escrito: Não só de pão vive o homem, mas de toda palavra que procede da boca de Deus (Dt 8,3)". (Mt 4,4).Que produz  frutos abundantes: "A terra boa semeada é aquele que ouve a palavra e a compreende, e produz fruto: cem por um, sessenta por um, trinta por um". (Mt 13,23).

Uma declaração de amor,que somos convidados e ajudados a transmitir para que seja possível festejar as núpcias do Cordeiro acompanhados de muitos e muitos irmãos,sentados ,como rebentos de oliveira ,em redor da mesa de Deus-Pai:. "Os discípulos partiram e pregaram por toda a parte. O Senhor cooperava com eles e confirmava a sua palavra com os milagres que a acompanhavam". (Mc 16,20)

Somos filhos...de tal PAI



"Adoração em espírito e verdade não é senão a concretização duma consciência filial.

Resulta da efusão do Espírito,como se verificara plenamente em Jesus no dia do baptismo.Só o Espírito conhece o Pai e permite que os outros o conheçam em verdade.Só ele autoriza  o homem a dizer a Deus:Abba(Pai).

E a dizê-lo como só o Filho o sabe dizer.É ele ,o Espírito que nos põe numa relação nova com Deus :numa relação autenticamente filial. "

Eloi Leclerc 



terça-feira, 11 de junho de 2013

Luzes


Mas porque não é possivel, que mesmo na nossa imensa fragilidade, as luzes se bem que pequeninas,pobres e falíveis, não se alumiem umas às outras ?

domingo, 9 de junho de 2013

Oração do coração - II




Quando estudava no colégio das Doroteias ,aos meus 12 anos, ensinaram-me as Irmãs que havia dois anjos voando sobre a terra com dois cestos: num juntavam os pedidos e outro recebiam as acções de graças.Mas acontecia que o cesto dos pedidos chegava ao trono do Altíssimo muito cheio,mas o das graças estava sempre quase vazio.

Foi uma boa lição, que não esqueci mais,no entanto faltava ainda muito para que eu compreendesse o que podia ser o “estado” de oração.

Mais tarde, ao ler o I Livro de Samuel no versículo 5 encontrei na fala de Ana a explicação.Dizia ela:…”derramo a minha alma na presença do Senhor”.

Nada de complicado,nada de difícil esse estar sempre em oração ,sempre derramando a alma na presença do Senhor,porque o Espírito de Deus nos dá assistência contínua,apenas pedindo a nossa disponibilidade e atenção.

A sede de Deus,a ânsia de aqui e agora,na nossa vida comum de todos os dias,Lhe estar sempre unido nidifica no coração ,desabrochando,naturalmente,em oração,como a flor exposta aos raios de sol de um novo dia.

Talvez que na espiritualidade do Oriente essa necessidade de orar “em todo o tempo,pelo Espírito “ (Ef 6,18)  tivesse sido sentida mais cedo em todo o povo de Deus e não só,como no Ocidente,nos místicos ou religiosos.O conhecido livro do Peregrino Russo relata a experiência de uma alma simples, mas inundada de Jesus Cristo,que irradia em paz,paciência,serenidade .

Referindo-se à oração do Jesus diz-nos: - “A oração irrompia no meu coração e eu precisava de calma e quietude para deixar essa chama subir livremente e para esconder um pouco os sinais exteriores da oração:lágrimas,suspiros,expressões de rosto,murmúrios dos lábios” e mais adiante “Qualquer pessoa pode fazer a mesma coisa.Basta mergulhar mais silenciosamente no fundo do coração e invocar mais o nome de Jesus Cristo:imediatamente se descobre a luz interior,tudo fica mais claro e,nessa clareza,aparecem certos mistérios do Reino de Deus.” (Lc 17,21)

A oração do coração




A linguagem de Deus apenas se pode entender com o coração.No centro de nós próprios ,no mais profundo, Deus fala-nos.

Mas nesta vida em que as palavras,os pedidos,as exigências  se tornaram tão presentes…é difícil parar para ouvir a voz do coração.

É difícil quando  a mente é solicitada de forma sempre mais envolvente  para acompanhar os avanços da ciência ou o desenvolvimento da técnica, fazê-la concentrar-se no coração.

Para nos ajudar temos a rica espiritualidade dos padres do deserto.Esses autores espirituais abrem-nos a via para reconhecermos que somos parte inerente de Deus e assim participantes da ilimitada capacidade de dar e receber amor.

Aos padres do deserto,forma que geralmente se usa,para dominar as primeiras formas de monaquismo surgidas nos desertos do Egipto ou da Palestina,do século III ao VI ,devemos a oração do coração que depois os místicos orientais,designadamente na Rússia desenvolveram.

Consiste essa oração em aquietar a mente,fazendo-a descer ao coração e aí ser absorvida pela contemplação do Senhor,que está presente em nós até que nada mais reste do que o encontro pleno de Deus e da sua criatura.

E como é a oração do coração,que nos coloca em orante permanência e sempre vigilantes,para nos irmos configurando cada vez mais a Cristo,Senhor nosso?

Consiste em com simplicidade e humildade, invocarmos constantemente o nome de Jesus,com um coração, que se esvazia de pensamentos e preocupações para se deixar abraçar,na sua totalidade,pela misericórdia de Deus.

Assim nos indicam vários monges do deserto,cujas falas foram recolhidas nesse pequeno tesouro da esoiritualidade oriental que se chama  Filocalia.
  
Mais tarde,no século XII,S.Bernardo de Claraval veio indicar-nos ,também no Ocidente,a poderosa força do nome de Jesus,escrevendo:

Jesus é mel na boca, doce melodia no ouvido, alegria no coração. Mas é também medicina. Há no meio de vós alguém triste? Jesus desça ao coração e depois suba aos lábios; e eis que à luz desse nome desaparecem todas as nuvens, volta a serenidade. Cometeu alguém um pecado? Corre desesperado ao laço da morte? Mas se invocar esse nome de vida, não há de sentir imediatamente o respiro vital?... A quem é que, agitado e hesitante nos perigos, a invocação desse nome de força não restituiu imediatamente a confiança e repeliu o medo?... Nada melhor refreia o ímpeto da ira, reprime o tumor da soberba e cura a ferida da inveja...".


A oração comunitária




Taizé
Desde o princípio, os cristãos sentiam-se movidos a orar em comum e experimentavam a poderosa presença do Senhor :-. Perseveravam eles na doutrina dos apóstolos, na reunião em comum, na fracção do pão e nas orações Actos 2,42

Haviam entendido de uma forma profunda as palavras de Jesus ao dizer: "Porque onde dois ou três estão reunidos em meu nome, aí estou eu no meio deles". (Mt 18,20)
De uma maneira misteriosa e intima Jesus associa-nos à sua oblação,à sua oração na santa missa,onde a comunidade celebra e ora em conjunto com o sacerdote em coroamento por excelência da oração comunitária.

A nossa atitude de correspondência à iniciativa do Pai, em nos convocar para Eucaristia, manifesta-se no louvor cantado,mas também em tempos de silêncio e de comunhão.

Os 150 salmos, que eram a oração habitual de Cristo,de sua Mãe ou dos discípulos ,contém  orações de súplica,orações de louvor,mas também contém  espaços em que apenas o coração se abre ao fulgor da misericórdia.Como crianças saciadas deixamos de gritar e de pedir e aninhamo-nos no colo da mãe . 2. … mantenho em calma e sossego a minha alma, tal como uma criança no seio materno, assim está minha alma em mim mesmo.S 131.
        
Mas confiantes em Jesus,que impera sobre os ventos tempestuosos da nossa vida ,como o fez no mar da Galileia,vamos pedir-Lhe que coloque o nosso coração numa tranquilidade receptiva e transformante, para que na actuação do Espírito ,sintamos a brisa suave da Presença de Deus – ( 1 Rs19,11-12) .E nessa transformação que os outros estejam sempre a acontecer.AMEN!

sábado, 8 de junho de 2013

A oração é um ENCONTRO




Quando começamos a compreender que na oração vamos encontrar Alguém e Alguém que nos ama de forma única o sentido da nossa oração muda.

Não é mais um dever,uma obrigação mas uma corrida para o dialogo em que o coração escuta a voz do Pai e adora o Espírito que em si reza de forma inexprimível produzindo uma necessidade cada vez mais forte de  conformar o nosso eu a  Jesus,nosso divino Irmão.

Dizia-nos um monge trapista, sobre a oração ,em que vivia imerso:
“A oração não é só uma criação do Pai, mas também um dos poucos caminhos pelo qual o homem consegue chegar ao nível da linguagem divina. Quando o homem ora, o Pai consegue compreender a linguagem dos filhos. Sublinho que orar não significa forçosamente existência de sons, pode muito bem apenas ser a tua presença.”

Na continuidade da oração vamos descobrindo que o Pai se vai  revelando à medida do nosso próprio mistério,movendo as fibras mais ocultas do nosso ser na Sua direcção.

Muitas vezes nos apontam métodos e formas de rezar,mas nunca podemos abstrair a nossa maneira pessoal,o nosso esforço único de encontrar o Senhor.Vemos nos Evangelhos que todos os encontros de Jesus são pessoais.

Quando os encontros se tornam mais e mais frequentes as virtualidades, que em nós   existem, vão-se expandindo em vida de abundantes frutos.

O Padre jesuíta Dário Pedroso dá-nos ,em síntese, toda a maravilhosa realidade dos nossos tempos com Deus:


Com a oração dar-se-á aos poucos a evangelização do nosso interior, da alma, do coração, da inteligência, da vontade, do afecto, do ser e da vida. Oração que não seja pietismo estéril, piedade balofa, espiritualidade vazia, mas grandeza de alma, plena de Deus, da sua vida e da sua graça. Por isso, oração que transforma, que cristifica, que converte, que cura, que transfigura, que nos mergulha em Deus e nos dá paz e alegria. Oração que nos faz viver de outro modo e nos compromete com os homens, com o mundo.

Oração que nos dará o fogo dos Apóstolos da manhã de Pentecostes. Oração que nos fará incendiários ao jeito de Jesus. Oração que nos dará a graça de vivermos a vida com paixão, de coração aberto para amar sem medida.

Oração que nos fará aprender a morrer, como o grão de trigo, para que os outros tenham vida e a tenham em abundância. Oração que nos abrirá o coração ao amor louco e apaixonado de Deus e nos fará descobri-Lo sempre, e cada vez mais e melhor, como o tesouro das nossas vidas.”

sexta-feira, 7 de junho de 2013

A oração dos importunos


De muitas maneiras Jesus nos faz sentir que a oração faz parte integrante do cristão.

Como está escrito em Lucas 18,1  - Propôs-lhes Jesus uma parábola para mostrar que é necessário orar sempre sem jamais deixar de fazê-lo.

Para que compreendamos bem qual o valor que tem para o Pai a nossa comunicação com Ele,recorre  a parábolas ,em que com cores bem vivas ,nos descreve que devemos ser até importunos,insistir sem desfalecimento,não desistindo ,de em harmonia com a vontade de Deus, fazermos os nossos pedidos e súplicas,como é próprio dos filhos.(Lucas 18,2).

Assim nos fala Jesus da viúva ,que conseguiu obter justiça pela sua persistência (Lucas 18,2) ou do amigo que conseguiria alcançar os pães necessários,porque não se cansava de os pedir.(Lucas 11,5).

O dinamismo da nossa relação com Deus dá-nos essa intimidade com uma aproximação tão intensa,que permite até sermos importunos.

Que prova de amor tão grande o Pai nos concede ,que como abdicando da sua grandeza e glória,nos aproxima Dele em dialogo tão familiar,como só um Abba cheio de ternura e de complacência por estes seres frágeis que somos ,mas a quem quiz entregar a graça da filiação divina.

Diz S.Paulo ,lançando-nos nos braços amorosos do Pai: 6. Não vos inquieteis com nada! Em todas as circunstâncias apresentai a Deus as vossas preocupações, mediante a oração, as súplicas e a acção de graças.Fl 4

Mas em todos os nossos pedidos e súplicas sempre estará presente o maior dom que o Pai nos pode conceder : 13. Se vós, pois, sendo maus, sabeis dar boas coisas a vossos filhos, quanto mais vosso Pai celestial dará o Espírito Santo aos que lho pedirem.Lucas 11

Na verdade,no nosso coração, apenas com o  Espírito Santo podemos implorar:Abba,Paizinho querido,Pai Santo,Pai bem amado.