Cantemos o hino de libertação de Maria para que com ela e como ela nos possamos tornar irmãos e mães do nosso SALVADOR,em tantos/as que estão nús,famintos,prisioneiros,doentes.
Jesus ensinou-nos que a família de DEUS alarga os seus horizontes para fora do núcleo doméstico.Ele foi o primeiro de uma multitude de irmãos.
Humedecidas as pastagens do deserto, revestem-se de alegria as colinas.Os prados são cobertos de rebanhos, e os vales se enchem de trigais. Só há júbilo e cantos de alegria.
Assim canta o salmo 64.Assim sentiam os pastores quando mal refeitos da presença da glória de Deus,se lançam em busca do Messias . -Vamos já a Belém e vejamos o que aconteceu,o que o Senhor nos deu a conhecer-.Apressadamente e sem hesitações,no meio da noite,inteiramente disponíveis,foram ao encontro do recém-nascido,envolto em faixas,o anunciado Salvador,Cristo Senhor.
Eram simples e abertos os corações dos pastores tornando-os depositários privilegiados da primeira comunicação da grande alegria.O nascimento,longamente esperado,acontecera.
E as profecias de Miqueias e Isaías deviam soar aos seus ouvidos enquanto apressavam o passo:Tu,a mais pequena das cidades de Judá ,te hás-de tornar a mais conhecida-.Na pequenina cidade da Judeia,na terra de David-um menino nasceu para nós e um filho nos foi dado de nome EMANUEL- ou seja Deus connosco.Ele,o desarmado recém nascido,era o – ADONAI ,o Poderoso,o Admirável,o Pai do século futuro,o Princípe da Paz-.
O dia havia despontado róseamente claro quando também nos fizemos ao caminho de Belém,percorrendo as encostas onde o louro e jovem David guardava os rebanhos de seu pai,até ser ungido rei de Israel ou atrevessando os campos de trigo ,em que a sua bisavó Ruth,viúva e pobre,recolhia as espigas deixadas pelos ceifeiros e com elas,parcamente,se alimentava.
O aglomerado mimoso de casas não muito altas,aninhado na planície,surgia finalmente e o nosso coração acelerava as suas batidas,coração que se queria sincero e despojado,como o dos pastores,para que também a grande alegria nos fosse comunicada.
Pertencendo o Menino à estirpe de David,os pastores chegados a BeléM,terão certamente procurado o Menino na casa da família de José,seu descendente,que acolhia os membros que obedecendo á ordem de recenseamento se dirigiam à cidade natal da sua ascendência. Mas grandes que eram as famílias de então lotaram a casa de José e as hospedarias do local e o Senhor do Universo nasceu como o mais desfavorecido dos filhos dos homens na pequena gruta que a manjedoura indiciava ser destinada à recolha dos animais.
Em cima da pequena gruta em que viu a luz o Autor da Vida lutas e guerras sobre guerras,semeando a morte,por vezes até entre cristãos, se sucederam e fizeram erguer forte igreja fortificada ,cujo amuralhado defensivo constitui sinal de contradição.
Vencida essa primeira impressão dolorosa e descidas as estreitas escadas podemos finalmente ajoelhar e beijar a estrela polida pelos multiseculares beijos dos peregrinos e que assinala,brilhando,o lugar do nascimento de Cristo.
Aí,os pastores ao encontrarem Maria,José e o recém-nascido,deitado na manjedoura,contaram o que lhes fora dito acerca daquele Menino e todos os que os ouviram ficavam maravilhados com aquelas palavras.
Maravilhados,também,nós os peregrinos,escutámos,como se fosse a primeira vez ,os relatos evangélicos sobre “todos esses acontecimentos.”Como a Mãe de Jesus,queríamos guarda-los “cuidadosamente”,sabendo que é preciso fazer silêncio para que se tornem produtivos,nos nossos corações.
E como os pastores louvámos e glorificámos a Deus,pela sua incomparável dádiva.
O caracter sagrado das Escrituras também creio que está em constituirem uma água viva ,não estática ou finda,MAS abrindo sempre novos e surpreendentes horizontes,mesmo quando os céus parecem só escuridão.
"Com efeito, de tal modo Deus amou o mundo, que lhe deu seu Filho único, para que todo o que nele crer não pereça, mas tenha a vida eterna". (Jo 3,16)
Nunca a satisfação de um Deus que precise de ser aplacado e que ,para isso,aguardava uma vítima que Lhe fosse sacrificada ,mas tal como a Palavra nos diz um Deus louco de amor que entrega o seu Filho bem amado,sabendo todas as consequências!
Um irmão Total que levou até final o seu programa de vida lido na pequena sinagoga de Nazaré,sabendo que iria sofrer a rejeição e o desprezo!
Um Irmão total que acompanhou a fundo os padecimentos humanos e a solidão dos amigos, naquela hora em que nem o Pai se encontrava!
"Ninguém tem maior amor do que aquele que dá a sua vida por seus amigos". (Jo 15,13) Sim...a maior prova de amor é dar a vida pelos outros..de uma vez ou continuadamente
Então se entende e se participa na oblação do Amor supremo e as nossas oblações que se lhe juntam na patena da Eucaristia!
Como o veado anseia pelas águas vivas, assim minha alma anseia por vós Senhor (Sl. 41-42)
Todas as interrogações,as inquietações e até as negações são fruto de uma marcação originária do ser criado para o Infinito e que possui um genoma de infinito.
Todo o orgulho,arrogância,prepotência é como o negativo da extrema dignidade do homem...o contra -luz da sua semelhança com Deus. Possuidor de um tempo para viver em que a pessoa humana não cabe, projecta-se sempre para um horizonte ,que o ultrapassa ,conhecendo,admitindo ou não quem é,de onde vem e para onde vai . Perguntas impressas no seu adn e que não consegue anular por mais que avance na ciência,por maior desenvolvimento que alcance na tecnologia.
Recebemos na Eucaristia o corpo de Cristo,mas teremos a noção que também nós formamos esse corpo e que assim nos devemos entregar como Ele se nos entrega?
O Deus do Amor e da Paz habita em mim. No meu vazio... na minha inutilidade... Vens,Senhor,até mim... Louvor nas harpas,louvor nas lágrimas...
Como uma flama ardente, cais sobre as noites da minha finitude. Vem, Senhor Jesus,que nos foste prometido nas núpcias da cruz e leva-nos ao Pai,na multitude dos irmãos...
Senhor,meu Deus Tu que permaneces na nossa humana noite, Para lhe dar a luz da alvorada. Vem, no Santo Espírito e descobre o Teu Amor A Tua Presença inunda-nos!
Só somos perfeitamente livres quando vivemos em pura esperança. Pois quando é pura, nossa esperança não mais confia em meios humanos e visíveis, nem repousa em qualquer fim visível. Quem espera em Deus, acredita que Deus, que ele nunca vê, o conduz à posse de bens que ultrapassam toda imaginação.” Tomas Merton aqui
Talvez esta certeza se torne mais brilhante e sem contestação a partir de certa faixa temporal.
"Cristo glorioso, influência secretamente difusa no seio da Matéria e Centro deslumbrante em que se ligam todas as fibras inúmeras do Múltiplo; Potência implacável como o Mundo e quente como a Vida; Vós que tendes a fronte de neve, os olhos de fogo, os pés mais irradiantes que o ouro em fusão; Vos cujas mãos aprisionam as estrelas, Vós que sois o primeiro e o último, o vivo, o morto e o ressuscitado: Vós que reunis em vossa unidade todos os encantos, todos os gostos, todas as forças, todos os estados: é por Vós que meu ser chamava com um desejo mais vasto do que o universo: Vós sois verdadeiramente meu Senhor e meu Deus!" Pde.Pierre Teilhard de Chardin-da Missa sobre o mundo
Por isso,porque o creio em absoluto .ó Pai,em cada oração de laudes te trago ,em Teu Filho,todos os sofrimentos,todas as alegrias,todos os choros,toda a ternura, que me acompanham à oração,em cada manhã ,nas noticias do mundo.
Que todos sejam um, como tu, Pai, estás em mim e eu em ti; que também eles estejam em nós, a fim de que o mundo creia que tu me enviaste." ( Jo 17, 21).
A comunhão avança num caminho de reconciliação entre os membros de Cristo feridos por uma história de inimizades,reconciliação indispensável para que o mundo creia.
Foi Jesus que o disse e não me parece que se possam ultrapassar as suas palavras.
A Comunidade Chemin Neuf é um exemplo dessa paixão pela unidade dos cristãos,que se apresenta
dizendo:"Os irmãos e irmãs da Comunidade ,membros da da Igreja Católica, das Igrejas Ortodoxas, da Comunhão Anglicana, da Igreja Reformada, das Igrejas Luteranas ou Evangélicas escolheram viver, orar e evangelizar juntos, sem renunciar a sua identidade própria e em comunhão com as suas Igrejas respectivas".
Saudai Priscila e Áquila, meus colaboradores em Cristo Jesus, pessoas que, pela minha vida, expuseram a sua cabeça. Não sou apenas eu a estar-lhes agradecido, mas todas as igrejas dos gentios. Saudai também a igreja que se reúne em casa deles.Rom 16,3-5
Nesta semana dos seminários que se inicia,não sejam esquecidas as igrejas domésticas.No final é delas que nascem os sacerdotes e as vidas consagradas.
Alegremo-nos e rejubilemos com o AMOR...que se fez carne por nós...conosco,para que no meio das angústias,pesadelos,contradições,fraquezas não caminhassemos sós e tivessemos NELE a Vida ,em abundância e para sempre.
Uma vida que ainda está por descrever..por anunciar...por gritar dos telhados...uma vida que seja mesmo uma boa nova.
e deixar-se atraír... a perseverança no Amor Formoso,feito carne,sofrimento,rejeição ,apenas por nós, é a fábrica dos santos...santos de todas as côres,de todos os feitios,na diversidade dos frutos e flores da Criação.
Apo 7,9.Depois disso, vi uma multidão imensa, que ninguém podia contar, gente de todas as nações, tribos, povos e línguas. Estavam de pé diante do trono e do Cordeiro; vestiam túnicas brancas e traziam palmas na mão.
1Pd 1,15-16
Como é santo aquele que vos chamou, tornai-vos santos, também vós, em todo o vosso proceder. Pois está na Escritura: Sede santos, porque eu sou santo.
O Reino de Deus não é comida nem bebida, mas é justiça e paz e alegria no Espírito Santo. É servindo a Cristo, dessa maneira, que seremos agradáveis a Deus e teremos a aprovação dos homens. Portanto, busquemos tenazmente tudo o que contribui para a paz e a edificação de uns pelos outros.
A Trindade Santissima é comunhão...nós temos que ser comunhão...só assim poderemos subsistir, amando para além dos nossos códigos de individualismo,crescendo em comunidade humana,para "a justiça e paz e alegria no Espírito Santo".
3. Lembrados da palavra do Senhor: «nisto reconhecerão todos que sois meus discípulos, se vos amardes uns aos outros» (Jo. 13, 35), os cristãos nada podem desejar mais ardentemente do que servir sempre com maior generosidade e eficácia os homens do mundo de hoje. E assim, fiéis ao Evangelho e graças à sua força, unidos a quantos amam e promovem a justiça, têm a realizar aqui na terra uma obra imensa, da qual prestarão contas Aquele que a todos julgará no último dia. Nem todos os que dizem «Senhor, Senhor» entrarão no reino dos céus, mas aqueles que cumprem a vontade do Pai (2) e põem sèriamente mãos a obra. Ora, a vontade do Pai é que reconheçamos e amemos efectivamente em todos os homens a Cristo, por palavra e por obras, dando assim testemunho da verdade e comunicando aos outros o mistério do amor do Pai celeste. Deste modo, em toda a terra, os homens serão estimulados à esperança viva, dom do Espírito Santo, para que finalmente sejam recebidos na paz e felicidade infinitas, na pátria que refulge com a glória do Senhor.
«Aquele que, em virtude do poder que actua em nós, é capaz de fazer que superabundemos para além do que pedimos ou pensamos, a Ele seja dada a glória na Igreja e em Cristo Jesus, por todos os séculos dos séculos. Amém» (Ef. 3, 20-21).
Roma, 7 de Dezembro de 1965
PAPA PAULO VI
Da Gaudium et Spes-Vaticano II
"estimulados à esperança viva..."
Fazem-nos falta os estimuladores permanentes da Esperança,para nos acompanharem nos tropeços da caminhada...até ao AMOR dos dias sem ocaso...
... muito lentamente vamos recebendo a diversidade dos filhos...
Leitura breve 1Cor 12,4-6 Há diversidade de dons, mas um mesmo é o Espírito. Há diversidade de ministérios, mas um mesmo é o Senhor. Há diferentes atividades, mas um mesmo Deus que realiza todas as coisas em todos.
fui a peregrinação a Lourdes com as irmãs Doroteias ,onde estudei.
Mal sabia eu,ao visitarmos ,em caminho,a abadia de Trapa,de Santo Isidro,que as estampas que o Irmão Hospedeiro me dava eram as do futuro S.Rafael,ora canonizado,um jovem noviço para quem Deus era TUDO.
Os frutos do Espírito Santo são: a caridade, a alegria, a paz, a paciência, a afabilidade, a bondade, a fidelidade, a brandura e a temperança..Gal 5,22
Em espaços de silêncio...em espaços de acção são frutos que Deus nos pede
“Nisto é glorificado meu Pai, em que deis muito fruto, e assim vos tornareis meus discípulos” – João 15.8
Ef 4,24. e revesti-vos do homem novo, criado à imagem de Deus, em verdadeira justiça e santidade.
Como as árvores,permanentemente,deixemos o velho,o inútil,o que nos prende e contamina...para corrermos a restaurar a unidade com Quem nos criou e ama.
(abadia de Westminster-galeria dos mártires do século XX)
(Apocalipse 12,11)
Mas estes venceram-no por causa do sangue do Cordeiro e do seu eloquente testemunho. Desprezaram a vida até aceitar a morte.
Na abadia de Westminster,Londres, estão São Maximiano Kolbe e o arcebispo Romero lado a lado,com o Rev.Martinho Lutero King e o pastor Dietrich Bonhoeffer.
(Romanos 2,11)
Porque, diante de Deus, não há distinção de pessoas.
"....Todos estes valores da dignidade humana, da comunhão fraterna e da liberdade, fruto da natureza e do nosso trabalho, depois de os termos difundido na terra, no Espírito do Senhor e segundo o seu mandamento, voltaremos de novo a encontrá-los, mas então purificados de qualquer mancha, iluminados e transfigurados, quando Cristo entregar ao Pai o reino eterno e universal: «reino de verdade e de vida, reino de santidade e de graça, reino de justiça, de amor e de paz» (24). Sobre a terra, o reino já está misteriosamente presente; quando o Senhor vier, atingirá a perfeição." - da Gaudium et Spes-Vaticano II
Apesar de nos sentirmos decepcionados,tristes,esquecidos NELE tudo será restaurado .Nada nos pode perturbar, como diz Santa Teresa,porque O tentámos seguir,não abdicando de fazer o bem,mesmo quando tudo parece adverso.
Onde está o silêncio? Onde a solidão? Onde o Amor? Em última instância, não podem ser encontrados em lugar algum a não ser no fundamento de nosso próprio ser. Há perfeita paz, porque estamos alicerçados no Amor infinito, criativo e redentor.” Tomás Merton
Mas como nos fazer lembrar sempre disso quando escabeceamos na realidade destroçante do mundo,o mundo que o Pai amou tanto que não desiste de nos entregar o Filho, a cada dia, para o salvar?.Aí deve estar a nossa lembrança."No Amor infinito, criativo e redentor".
"Com efeito, de tal modo Deus amou o mundo, que lhe deu seu Filho único, para que todo o que nele crer não pereça, mas tenha a vida eterna". (Jo 3,16)
Nunca a satisfação de um Deus que precise de ser aplacado e que ,para isso,aguardava uma vítima que Lhe fosse sacrificada ,mas tal como a Palavra nos diz um Deus louco de amor que entrega o seu Filho bem amado,sabendo todas as consequências!
Um irmão Total que levou até ao fim o seu programa de vida lido na pequena sinagoga de Nazaré,sabendo que iria sofrer a rejeição e o desprezo! Um Irmão total que acompanhou a fundo os padecimentos humanos e a solidão dos amigos, até àquela hora em que nem o Pai se encontrava!
"Ninguém tem maior amor do que aquele que dá a sua vida por seus amigos". (Jo 15,13) Sim...a maior prova de amor é dar a vida pelos outros..de uma vez ou continuadamente Então se entende e se participa na oblação do Amor supremo e as nossas oblações que se lhe juntam na patena da Eucaristia!
paciência corramos à luta que nos foi designada, contemplando o autor e consumador da
fé, Jesus (Hb 12,1-2).
Assim com Ele e por Ele caminhamos dia após dia, fazendo-Lhe confiança.Sendo pacientes na tribulação,alegres na esperança,nunca esmorecendo do Amor, que nos amou primeiro.
Li no outro dia que as novas gerações de cristãos não conhecem os documentos do Vaticano II e realmente assim se dá conta ao ler os blogues jovens.
Mas quem o deseje fazer no site do Vaticano (<----- carregar )tem acesso aos seus documentos,sendo de realçar: as Constituições Dei Verbum, Gaudium et Spes e Lumen Gentium, as Declarações Nostra Aetate e Dignitatis Humanae e os Decretos Ad Gentes e Perfectae Caritatis.
Neste ano sacerdotal em que os baptizados, no seu sacerdócio comum ,se juntam ao sacerdócio ordenado em "sacrifício vivo,santo e agradável a Deus"(RM 12,1-2) é bom reler as palavras da Lumen Gentium que nos falam do sacerdócio comum dos fiéis de que reproduzo uma pequena parte:
"10. Cristo Nosso Senhor, Pontífice escolhido de entre os homens (cfr. Hebr. 5, 1-5), fez do novo povo um «reino sacerdotal para seu Deus e Pai» (Apor. 1,6; cfr. 5, 9-10). Na verdade, os baptizados, pela regeneração e pela unção do Espírito Santo, são consagrados para serem casa espiritual, sacerdócio santo, para que, por meio de todas as obras próprias do cristão, ofereçam oblações espirituais e anunciem os louvores daquele que das trevas os chamou à sua admirável luz (cfr. 1 Ped. 2, 4-10). Por isso, todos os discípulos de Cristo, perseverando na oração e louvando a Deus (cfr. Act., 2, 42-47), ofereçam-se a si mesmos como hóstias vivas, santas, agradáveis a Deus (cfr. Roma 12,1), dêem. testemunho de Cristo em toda a parte e àqueles que lha pedirem dêem razão da esperança da vida eterna que neles habita (cfr. 1 Ped. 3,15). .O sacerdócio comum dos fiéis e o sacerdócio ministerial ou hierárquico, embora se diferenciem essencialmente e não apenas em grau, ordenam-se mutuamente um ao outro; pois um e outro participam, a seu modo, do único sacerdócio de Cristo (16)."
Quando começamos a compreender que na oração vamos encontrar Alguém e Alguém que nos ama de forma única o sentido da nossa oração muda.
Não é mais um dever,uma obrigação, mas uma corrida para o dialogo em que o coração escuta a voz do Pai e adora o Espírito que em si reza de forma inexprimível produzindo uma necessidade cada vez mais forte de conformar o nosso eu com Jesus,nosso divino Irmão.
Dizia-nos um monge trapista, sobre a oração ,em que vivia imerso:“A oração não é só uma criação do Pai, mas também um dos poucos caminhos pelo qual o homem consegue chegar ao nível da linguagem divina.
Quando o homem ora, o Pai consegue compreender a linguagem dos filhos. Sublinho que orar não significa forçosamente existência de sons, pode muito bem apenas ser a tua presença.”
Na continuidade da oração vamos descobrindo que o Pai se vai revelando à medida do nosso próprio mistério,movendo as fibras mais ocultas do nosso ser,na Sua direcção.Muitas vezes nos apontam métodos e formas de rezar,mas nunca podemos abstrair a nossa maneira pessoal,o nosso esforço único de encontrar o Senhor.
Vemos nos Evangelhos que todos os encontros de Jesus são pessoais.Quando os encontros se tornam mais e mais frequentes as virtualidades, que em nós existem, vão-se expandindo em vida de abundantes frutos.
O Padre jesuíta Dário Pedroso dá-nos ,em síntese, toda a maravilhosa realidade dos nossos tempos com Deus: “Com a oração dar-se-á aos poucos a evangelização do nosso interior, da alma, do coração, da inteligência, da vontade, do afecto, do ser e da vida. Oração que não seja pietismo estéril, piedade balofa, espiritualidade vazia, mas grandeza de alma, plena de Deus, da sua vida e da sua graça. Por isso, oração que transforma, que cristifica, que converte, que cura, que transfigura, que nos mergulha em Deus e nos dá paz e alegria. Oração que nos faz viver de outro modo e nos compromete com os homens, com o mundo.Oração que nos dará o fogo dos Apóstolos da manhã de Pentecostes. Oração que nos fará incendiários ao jeito de Jesus. Oração que nos dará a graça de vivermos a vida com paixão, de coração aberto para amar sem medida.Oração que nos fará aprender a morrer, como o grão de trigo, para que os outros tenham vida e a tenham em abundância. Oração que nos abrirá o coração ao amor louco e apaixonado de Deus e nos fará descobri-Lo sempre, e cada vez mais e melhor, como o tesouro das nossas vidas.
Os nossos caminhos são sempre de Emaús porque cremos firmemente que o nosso Irmão Maior os faz connosco...por isso nos arde o coração quando estamos atentos a Ele.
A única vez q fiz de anjo e apareci num teatro do Colégio das Doroteias foi num quadro vivo da Assunção de Maria e porque uma freira se apiedou do meu desgosto infantil de nunca aparecer como anjo.
Dado que o meu volume não se coadunava com os anjos esguios e pálidos que adornavam o teatro do colégio,foi uma solução parecida com esta escultura do mosteiro de Alcobaça, que foi achada.
Verificar ,por favor,os anjinhos aos pés da Virgem Maria ou à volta da sua cabeça,que me fizeram regressar à memória do episódio vivido.
E assim a minha cara bochechuda apareceu,num um ar de felicidade absoluta, com pequenas asas, a rasar o pescoço, entre nuvens de papel de seda rosado e azul celeste!.
Não sei se foi depois do concilio de Trento que a nossa espiritualidade começou a sofrer uma divisão em patamares:a da hierarquia e a monacal mais elevada,mais intima,mais apoiada na Sagrada Escritura e depois a dos féis mais simples,mais necessitada de intermediários ,mais devocional,mais fraquinha.
Li no outro dia que os ortodoxos conservaram a unidade dos primeiros tempos sendo de igual intensidade,exigência e proximidade para todos a sua relação com a Trindade Santissima.
Parece-me no entanto e graças a Deus que também caminhamos no mesmo sentido.
A Graça permite-nos desenvolver o Amor,até nos consumirmos na sarça ardente da Presença,se estivermos com Cristo tão intimamente como as vides com a videira. (JO15, 1-8)
“O mosteiro não é um lugar para se ‘fugir’ do mundo. Ao contrário: estando no mosteiro, assumo minha verdadeira participação em todas as lutas e sofrimentos do mundo. O fato de adoptar uma vida que é essencialmente não-assertiva, não-violenta, uma vida de humildade e paz, é, em si, uma declaração da própria posição.” Tomás Merton OCSO
Sim ,não pode ser ,pois se o Filho desceu dos céus para se fazer carne por nós, porque o Pai amava o mundo,como pode alguém fugir dele ?