O MEDO, QUANDO NOS EMPECE, VEM DE LONGE, TRAZ UMA POEIRA DA VIA LÁCTEA,NA TÚNICA FLUTUANTE DE SOMBRAS... - Teixeira de Pascoais.
Essa túnica flutuante vai-nos cobrindo à medida que as noticias ameaçadoras vão surgindo cada vez com mais frequência e mais carregadas de amanhãs negros.Uma necessidade de consolação palpável,sensível à nossa condição de incarnados infiltra-se pelo meio dos ossos,passa pelos músculos, instala-se com premência na angústia do coração.
Apetece,por vezes, dizer como aquela menina,a quem a avó sossegava dos terrores nocturnos:Não tenhas medo,tens sempre um anjo a guardar-te aos pés da cama e que respondeu:Sim, eu sei,avó,mas eu queria mesmo um anjo de verdade.
O cristianismo não recebe a revelação de Deus no triunfo de Deus, mas na fraqueza da morte de Jesus que nos liberta antes de mais do medo de Deus, como as religiões o apresentam. É este medo que destrói a liberdade do homem criado à imagem de Deus, que gera as manipulações idolátricas do divino, que leva por mimetismo à vontade de poder e de dominação do próximo. A cruz é a chegada da liberdade do homem face a Deus. Abdicando do seu poder, Deus revela que é amor e que é o amor que salva da morte.
Ó Fogo verdadeiro que tudo consome! Ó Fogo operante, cujo poder queima os vícios para manifestar à alma o suave vigor de tua unção! Só em ti nos é dada a força que restaura, refomando nosso ser segundo a imagem e semelhança original.