Eu amo-Vos Jesus pela multidão que se abriga dentro de vós, que ouço, com todos os outros seres, falar, rezar, chorar, quando me junto a Vós.
TEILHARD DE CHARDIN

segunda-feira, 2 de abril de 2018

Ressurreição do Senhor

Cristo é o Ressurgido, agora. Surge neste momento do fundo do meu ser, do fundo de cada homem, do fundo da história, continua a ressurgir novamente, a introduzir com a mão viva do Criador gérmenes geradores de esperança e de confiança, de coragem e de liberdade. Cristo Jesus ressurge hoje, energia que ascende, vida que germina, pedregulho que rola para longe da boca do coração. E indica-me o caminho para a Páscoa, que significa uma passagem ininterrupta do ódio para o amor, do medo para a liberdade, do efémero para o eterno. A Páscoa é a festa das pedras que se afastam agora da boca da alma. E saímos prontos para a primavera da nova vida, arrastados pelo Cristo Ressurgido para sempre.

Pe Ermes Ronchi

segunda-feira, 26 de março de 2018

Olhar a cruz com os olhos do centurião...

Olhar a cruz com os olhos do centurião.
padre Ermes Ronchi
Domingo de Ramos (Ano B) (25/03/2018)
Evangelho: Mc 14,1-15,47
Jesus entra em Jerusalém, não apenas um evento histórico, mas uma parábola em acção. Mais: uma armadilha de amor para que a cidade o receba, para que eu o receba. Deus corteja a sua cidade de várias maneiras. Vem como um rei necessitado, tão pobre que nem sequer possui o mais pobre animal de carga. Um Deus humilde que não se impõe, não esmaga, não faz medo. “Nunca nos acostumamos a um Deus humilde" (Papa Francisco).
O Senhor precisa dele, mas vai devolvê-lo logo depois. Precisa daquele burrito, precisa de mim, mas não ficará com a minha vida; liberta-a, e faz com que seja o melhor que se possa tornar. Abrirá espaços em mim para o voo , para o sonho.
E então dizem: Bem-aventurado aquele que vem em nome do Senhor. É extraordinário poder dizer: Deus vem. Neste país, nestas ruas, em toda casa que tem gosto de pão e de abraços, Deus vem, eternamente a caminhar, viajante dos milénios e dos corações. E não está longe.
A Semana Santa desdobra, um por um, os dias do nosso destino; vêm ao nosso encontro lentamente, cada um deles generoso em sinais, símbolos e luz. A melhor coisa a fazer para a viver bem é estar perto da profundíssima santidade das lágrimas, perto das intermináveis cruzes do mundo onde Cristo é ainda crucificado nos seus irmãos. Estar próximo, com um gesto de cuidado, uma batalha pela justiça, uma esperança silenciosa e teimosa como o bater do coração, uma lágrima recolhida de um rosto.
Jesus entra na morte porque a ela é submetido todo o filho da terra. Ele sobe na cruz para estar comigo e como eu, para que eu possa estar com ele e como ele. Estar na cruz é o que Deus, em seu amor, deve ao homem, que está na cruz. Porque o amor conhece muitos deveres, mas o primeiro é estar com o amado, agarrar-se a ele, segurá-lo em si mesmo e depois arrastá-lo para o alto, para fora da morte.
Apenas a cruz remove qualquer dúvida. Qualquer outro gesto nos teria encerrado numa falsa idéia de Deus: a cruz é o abismo em que um amor eterno penetra no tempo como uma gota de fogo e resplandece. Quem entendeu primeiro foi um pagão, um experiente centurião perito em mortes: aquele ali crucificado era o filho de Deus, o que o conquistou? Não foram milagres, nem ressurreições, apenas um homem pendurado nu ao vento.
Ele viu dar uma volta ao mundo, em que a vitória sempre foi dos mais fortes, mais armados, dos mais implacáveis. Viu o supremo poder de Deus que é dar vida até mesmo àqueles que dão a morte; o poder de servir não de servir-se; de vencer a violência, tomando-a sobre si.
Viu, na colina, que este mundo traz outro mundo no útero. E é o crucifixo que possui a chave.
Imagem de J.Tissot

quinta-feira, 15 de março de 2018

A Tua Páscoa...


João 12
31Chegou a hora de este mundo ser julgado, e agora o príncipe deste mundo será expulso.  32Mas Eu, quando for levantado da terra, atrairei todas as pessoas para mim.”


Nessa fé que o nosso coração proclama, às vezes, de maneira pouco visível, permite Senhor que cheguemos à tua Páscoa com a vida cheia da Tua Luz!

sábado, 17 de fevereiro de 2018

a Quaresma...

Há várias espécies de deserto; não é de confundir o ansiado deserto de fantasia, fruto de várias ilusões com os desertos terríveis da escuridão, da sensação de bloqueio entre si e Deus... a noite escura de João da Cruz e de Madre Teresa (passos dolorosos da iluminação), ou com o deserto do recolhimento e da procura no fundo da alma do Deus da misericórdia deixando-se seduzir
...como disse Jeremias (20:7)

sexta-feira, 19 de janeiro de 2018

Farei de vós pescadores de homens...

Pescadores de homens, que serão sabedores da direcção e força   dos ventos, das flutuações das marés, do estado dos mares, prontos a proporem aos homens um destino diferente daquele  dos peixes, preparados para os chamarem a uma vida trazida por Jesus e que Ele  quer dar em abundância.
    

domingo, 17 de dezembro de 2017

Uma gota de luz escondida no coração de todas as coisas

Uma gota de luz escondida no coração de todas as coisas

padre Ermes Ronchi
III Domingo do Advento (Ano b) - Gaudet (17/12/2017)
Evangelho: Jo 1,6-8.19-28
Vem João, enviado por Deus, para dar testemunho da luz. "O maior entre os que nasceram de mulher", como Jesus lhe chama, é enviado como testemunha, apontando o dedo para indicar não a grandeza, a força, a omnipotência de Deus, mas a beleza e a paciência suave e criativa da sua luz . Quem nunca faz violência, que se fixa sobre as coisas como uma carícia e as revela, O que mostra o caminho e alarga os horizontes.
O profeta é aquele que leva a humanidade a "pensar noutra luz" (M. Zambrano).
E ele pode fazê-lo porque viu entre nós a tenda de Alguém que “ fez resplandecer a vida" (2 Timóteo 1:10): veio e trouxe para a narrativa da história uma beleza, uma primavera, uma positividade, uma esperança como não podíamos sequer imaginar; Veio um Deus luminoso e apaixonado, um curador do desamor, que lava os cantos escuros do coração. Depois dele, será mais belo para todos o serem homens.
João, filho do sacerdote, deixou o templo e a sua função, voltou ao Jordão e ao deserto, onde tudo começou, e o povo seguia-o em busca de um novo começo, de uma identidade perdida. E é precisamente por isso que os sacerdotes e levitas de Jerusalém o questionam, pressionando-o seis vezes: Quem és? Quem és tu? És Elias? Um profeta? Quem és? O que dizes a teu respeito?
As respostas de João são sábias, extraordinárias. Para dizer quem somos, para nos definirmos, somos levados a adicionar, a listar informações, títulos académicos, notícias, conquistas. João Baptista faz exactamente o oposto, define-se diminuindo e responde três vezes: não sou o Cristo, não sou Elias, não sou ...
João deixa cair uma a uma as características de uma identidade prestigiosa, mas fictícia, para voltar ao núcleo ardente da sua vida. E ele encontra-o por diminuição, por despojamento: sou uma voz que grita. Apenas a voz, a Palavra é um Outro. O meu segredo está para lá de mim. Eu sou um que tem Deus na voz, filho de Adão, que tem Deus na sua respiração. O que é específico na identidade de João, que qualifica a sua pessoa é aquela parte do divino que sempre compõe o ser humano.
"Quem és tu?" Esta pergunta decisiva é dirigida a nós também. E a resposta é podar a nossa identidade das aparências e ilusões, das máscaras e dos medos. Menos é mais. Importa pouco o que acumulei, o que me vale foi aquilo que deixei cair para voltar ao essencial, até ser um com Deus. Aquele que acredita em um Deus de coração de luz, acredita no sol nascente e não na noite que perdura no mundo. Acredita que uma gota de luz está escondida no coração vivo de todas as coisas.
Gravura de Gustave Doré
tentado traduzir por mjb

quinta-feira, 14 de dezembro de 2017

O mês de Maria


Este é por excelência o mês de Maria, da jovem desposada de Nazaré.
A menina da Galileia, que como todas as outras ,ardentemente esperava o salvador de Israel.
Surpreendida por Gabriel,a comunicação diferente das Escrituras não inibiu o seu sim depois da resposta do Anjo…. para Deus era o faça-se inteiro ,mesmo com os riscos envolventes.
O filho de Deus, que crescia no seu ventre, não a deixou parada em contemplação …saíu por montes e vales à procura de quem dela precisava.
E um cântico de confiança, de libertação saiu da sua boca.
Em breve chegaria a noite, a mais longa noite da Palestina, onde nada existe a não ser o Amor - cantavam os monges do Atlas.
Noite rasgada em clarões de luz brilhante pela vinda de Deus-Pessoa ontem,hoje,amanhã…O sempre connosco.
mjb
imagem da net