Eu amo-Vos Jesus pela multidão que se abriga dentro de vós, que ouço, com todos os outros seres, falar, rezar, chorar, quando me junto a Vós.
TEILHARD DE CHARDIN

sexta-feira, 14 de junho de 2013

uma declaração de amor


A vontade de Deus manifesta-se no  salmo 128: contemplar um dia todos os seus filhos, como rebentos de oliveira, ao redor da sua mesa .

Por isso e para isso nos escreveu uma longa carta de amor, que se estende por milhares de páginas..Nelas comunica o Seu amor por nós ,amor de tal maneira forte,que vai até ao ciúme.(Tg 4,5)

Uma carta de amor exigente e terno,que faz e renova uma aliança com o homem e que se desenvolve em gerações continuas até atingir a própria incarnação da Palavra,no Senhor Jesus. (João 1,14).

Uma declaração de amor que exprime de forma bem clara e afirmativa a Sua intervenção a nosso favor: "em todas as suas aflições. Não era um mensageiro nem um anjo, mas sua própria Face que os salvava. No seu amor e na sua ternura ele mesmo os livrava do perigo. Durante o passado sustentou-os e amparou-os constantemente". (Is 63,9)

Uma declaração de amor que conforta e anima: “De longe me aparecia o Senhor: amo-te com eterno amor, e por isso a ti estendi o meu favor". (Jr 31,3). "O Senhor teu Deus está no meio de ti como herói Salvador! Ele anda em transportes de alegria por causa de ti, e te renova no seu amor. Ele exulta de alegria a teu respeito" (Sf 3,17).

Uma declaração de amor que nos revela como a palavra do Senhor cura e fortalece: "Respondeu o centurião: Senhor, eu não sou digno de que entreis em minha casa. Dizei uma só palavra e meu servo será curado". (Mt 8,8). "Pela tarde, apresentaram-lhe muitos possessos de demônios. Com uma palavra expulsou ele os espíritos e curou todos os enfermos". (Mt 8,16)

Uma declaração de amor que nos tem como alvo absoluto,que pede a nossa adesão,o nosso abrir de coração à expansão da vida divina que nele habita.Que se faz alimento, em nós, como o pão de cada dia : "Jesus respondeu: Está escrito: Não só de pão vive o homem, mas de toda palavra que procede da boca de Deus (Dt 8,3)". (Mt 4,4).Que produz  frutos abundantes: "A terra boa semeada é aquele que ouve a palavra e a compreende, e produz fruto: cem por um, sessenta por um, trinta por um". (Mt 13,23).

Uma declaração de amor,que somos convidados e ajudados a transmitir para que seja possível festejar as núpcias do Cordeiro acompanhados de muitos e muitos irmãos,sentados ,como rebentos de oliveira ,em redor da mesa de Deus-Pai:. "Os discípulos partiram e pregaram por toda a parte. O Senhor cooperava com eles e confirmava a sua palavra com os milagres que a acompanhavam". (Mc 16,20)

Somos filhos...de tal PAI



"Adoração em espírito e verdade não é senão a concretização duma consciência filial.

Resulta da efusão do Espírito,como se verificara plenamente em Jesus no dia do baptismo.Só o Espírito conhece o Pai e permite que os outros o conheçam em verdade.Só ele autoriza  o homem a dizer a Deus:Abba(Pai).

E a dizê-lo como só o Filho o sabe dizer.É ele ,o Espírito que nos põe numa relação nova com Deus :numa relação autenticamente filial. "

Eloi Leclerc 



terça-feira, 11 de junho de 2013

Luzes


Mas porque não é possivel, que mesmo na nossa imensa fragilidade, as luzes se bem que pequeninas,pobres e falíveis, não se alumiem umas às outras ?

domingo, 9 de junho de 2013

Oração do coração - II




Quando estudava no colégio das Doroteias ,aos meus 12 anos, ensinaram-me as Irmãs que havia dois anjos voando sobre a terra com dois cestos: num juntavam os pedidos e outro recebiam as acções de graças.Mas acontecia que o cesto dos pedidos chegava ao trono do Altíssimo muito cheio,mas o das graças estava sempre quase vazio.

Foi uma boa lição, que não esqueci mais, no entanto faltava ainda muito para que eu compreendesse o que podia ser o “estado” de oração.

Mais tarde, ao ler o I Livro de Samuel no versículo 5 encontrei na fala de Ana a explicação. Dizia ela:…”derramo a minha alma na presença do Senhor”.

Nada de complicado, nada de difícil esse estar sempre em oração ,s empre derramando a alma na presença do Senhor, porque o Espírito de Deus nos dá assistência contínua, apenas pedindo a nossa disponibilidade e atenção.

A sede de Deus, a ânsia de aqui e agora, na nossa vida comum de todos os dias, Lhe estar sempre unido nidifica no coração , desabrochando, naturalmente, em oração, como a flor exposta aos raios de sol de um novo dia.

Talvez que na espiritualidade do Oriente essa necessidade de orar “em todo o tempo, pelo Espírito “ (Ef 6,18)  tivesse sido sentida mais cedo em todo o povo de Deus e não só, como no Ocidente, nos místicos ou religiosos. O conhecido livro do Peregrino Russo relata a experiência de uma alma simples, mas inundada de Jesus Cristo, que irradia em paz, paciência, serenidade .

Referindo-se à oração do Jesus diz-nos: - “A oração irrompia no meu coração e eu precisava de calma e quietude para deixar essa chama subir livremente e para esconder um pouco os sinais exteriores da oração:l ágrimas,suspiros,expressões de rosto,murmúrios dos lábios” e mais adiante “Qualquer pessoa pode fazer a mesma coisa. Basta mergulhar mais silenciosamente no fundo do coração e invocar mais o nome de Jesus Cristo: imediatamente se descobre a luz interior,t udo fica mais claro e, nessa clareza, aparecem certos mistérios do Reino de Deus.” (Lc 17,21)

A oração do coração




A linguagem de Deus apenas se pode entender com o coração.No centro de nós próprios ,no mais profundo, Deus fala-nos.

Mas nesta vida em que as palavras,os pedidos,as exigências  se tornaram tão presentes…é difícil parar para ouvir a voz do coração.

É difícil quando  a mente é solicitada de forma sempre mais envolvente  para acompanhar os avanços da ciência ou o desenvolvimento da técnica, fazê-la concentrar-se no coração.

Para nos ajudar temos a rica espiritualidade dos padres do deserto.Esses autores espirituais abrem-nos a via para reconhecermos que somos parte inerente de Deus e assim participantes da ilimitada capacidade de dar e receber amor.

Aos padres do deserto,forma que geralmente se usa,para dominar as primeiras formas de monaquismo surgidas nos desertos do Egipto ou da Palestina,do século III ao VI ,devemos a oração do coração que depois os místicos orientais,designadamente na Rússia desenvolveram.

Consiste essa oração em aquietar a mente,fazendo-a descer ao coração e aí ser absorvida pela contemplação do Senhor,que está presente em nós até que nada mais reste do que o encontro pleno de Deus e da sua criatura.

E como é a oração do coração,que nos coloca em orante permanência e sempre vigilantes,para nos irmos configurando cada vez mais a Cristo,Senhor nosso?

Consiste em com simplicidade e humildade, invocarmos constantemente o nome de Jesus,com um coração, que se esvazia de pensamentos e preocupações para se deixar abraçar,na sua totalidade,pela misericórdia de Deus.

Assim nos indicam vários monges do deserto,cujas falas foram recolhidas nesse pequeno tesouro da esoiritualidade oriental que se chama  Filocalia.
  
Mais tarde,no século XII,S.Bernardo de Claraval veio indicar-nos ,também no Ocidente,a poderosa força do nome de Jesus,escrevendo:

Jesus é mel na boca, doce melodia no ouvido, alegria no coração. Mas é também medicina. Há no meio de vós alguém triste? Jesus desça ao coração e depois suba aos lábios; e eis que à luz desse nome desaparecem todas as nuvens, volta a serenidade. Cometeu alguém um pecado? Corre desesperado ao laço da morte? Mas se invocar esse nome de vida, não há de sentir imediatamente o respiro vital?... A quem é que, agitado e hesitante nos perigos, a invocação desse nome de força não restituiu imediatamente a confiança e repeliu o medo?... Nada melhor refreia o ímpeto da ira, reprime o tumor da soberba e cura a ferida da inveja...".


A oração comunitária




Taizé
Desde o princípio, os cristãos sentiam-se movidos a orar em comum e experimentavam a poderosa presença do Senhor :-. Perseveravam eles na doutrina dos apóstolos, na reunião em comum, na fracção do pão e nas orações Actos 2,42

Haviam entendido de uma forma profunda as palavras de Jesus ao dizer: "Porque onde dois ou três estão reunidos em meu nome, aí estou eu no meio deles". (Mt 18,20)
De uma maneira misteriosa e intima Jesus associa-nos à sua oblação,à sua oração na santa missa,onde a comunidade celebra e ora em conjunto com o sacerdote em coroamento por excelência da oração comunitária.

A nossa atitude de correspondência à iniciativa do Pai, em nos convocar para Eucaristia, manifesta-se no louvor cantado,mas também em tempos de silêncio e de comunhão.

Os 150 salmos, que eram a oração habitual de Cristo,de sua Mãe ou dos discípulos ,contém  orações de súplica,orações de louvor,mas também contém  espaços em que apenas o coração se abre ao fulgor da misericórdia.Como crianças saciadas deixamos de gritar e de pedir e aninhamo-nos no colo da mãe . 2. … mantenho em calma e sossego a minha alma, tal como uma criança no seio materno, assim está minha alma em mim mesmo.S 131.
        
Mas confiantes em Jesus,que impera sobre os ventos tempestuosos da nossa vida ,como o fez no mar da Galileia,vamos pedir-Lhe que coloque o nosso coração numa tranquilidade receptiva e transformante, para que na actuação do Espírito ,sintamos a brisa suave da Presença de Deus – ( 1 Rs19,11-12) .E nessa transformação que os outros estejam sempre a acontecer.AMEN!

sábado, 8 de junho de 2013

A oração é um ENCONTRO




Quando começamos a compreender que na oração vamos encontrar Alguém e Alguém que nos ama de forma única o sentido da nossa oração muda.

Não é mais um dever,uma obrigação mas uma corrida para o dialogo em que o coração escuta a voz do Pai e adora o Espírito que em si reza de forma inexprimível produzindo uma necessidade cada vez mais forte de  conformar o nosso eu a  Jesus,nosso divino Irmão.

Dizia-nos um monge trapista, sobre a oração ,em que vivia imerso:
“A oração não é só uma criação do Pai, mas também um dos poucos caminhos pelo qual o homem consegue chegar ao nível da linguagem divina. Quando o homem ora, o Pai consegue compreender a linguagem dos filhos. Sublinho que orar não significa forçosamente existência de sons, pode muito bem apenas ser a tua presença.”

Na continuidade da oração vamos descobrindo que o Pai se vai  revelando à medida do nosso próprio mistério,movendo as fibras mais ocultas do nosso ser na Sua direcção.

Muitas vezes nos apontam métodos e formas de rezar,mas nunca podemos abstrair a nossa maneira pessoal,o nosso esforço único de encontrar o Senhor.Vemos nos Evangelhos que todos os encontros de Jesus são pessoais.

Quando os encontros se tornam mais e mais frequentes as virtualidades, que em nós   existem, vão-se expandindo em vida de abundantes frutos.

O Padre jesuíta Dário Pedroso dá-nos ,em síntese, toda a maravilhosa realidade dos nossos tempos com Deus:


Com a oração dar-se-á aos poucos a evangelização do nosso interior, da alma, do coração, da inteligência, da vontade, do afecto, do ser e da vida. Oração que não seja pietismo estéril, piedade balofa, espiritualidade vazia, mas grandeza de alma, plena de Deus, da sua vida e da sua graça. Por isso, oração que transforma, que cristifica, que converte, que cura, que transfigura, que nos mergulha em Deus e nos dá paz e alegria. Oração que nos faz viver de outro modo e nos compromete com os homens, com o mundo.

Oração que nos dará o fogo dos Apóstolos da manhã de Pentecostes. Oração que nos fará incendiários ao jeito de Jesus. Oração que nos dará a graça de vivermos a vida com paixão, de coração aberto para amar sem medida.

Oração que nos fará aprender a morrer, como o grão de trigo, para que os outros tenham vida e a tenham em abundância. Oração que nos abrirá o coração ao amor louco e apaixonado de Deus e nos fará descobri-Lo sempre, e cada vez mais e melhor, como o tesouro das nossas vidas.”