terça-feira, 11 de junho de 2013
Luzes
Mas porque não é possivel, que mesmo na nossa imensa fragilidade, as luzes se bem que pequeninas,pobres e falíveis, não se alumiem umas às outras ?
domingo, 9 de junho de 2013
Oração do coração - II
Quando
estudava no colégio das Doroteias ,aos meus 12 anos, ensinaram-me as Irmãs que
havia dois anjos voando sobre a terra com dois cestos: num juntavam os pedidos
e outro recebiam as acções de graças.Mas acontecia que o cesto dos pedidos
chegava ao trono do Altíssimo muito cheio,mas o das graças estava sempre quase
vazio.
Foi
uma boa lição, que não esqueci mais, no entanto faltava ainda muito para que eu
compreendesse o que podia ser o “estado” de oração.
Mais
tarde, ao ler o I Livro de Samuel no versículo 5 encontrei na fala de Ana a explicação. Dizia
ela:…”derramo a minha alma na presença do Senhor”.
Nada
de complicado, nada de difícil esse estar sempre em oração ,s empre derramando a
alma na presença do Senhor, porque o Espírito de Deus nos dá assistência
contínua, apenas pedindo a nossa disponibilidade e atenção.
A
sede de Deus, a ânsia de aqui e agora, na nossa vida comum de todos os dias, Lhe
estar sempre unido nidifica no coração , desabrochando, naturalmente, em
oração, como a flor exposta aos raios de sol de um novo dia.
Talvez
que na espiritualidade do Oriente essa necessidade de orar “em todo o
tempo, pelo Espírito “ (Ef 6,18) tivesse sido sentida mais cedo em todo o povo de Deus e não
só, como no Ocidente, nos místicos ou religiosos. O conhecido livro do Peregrino
Russo relata a experiência de uma alma simples, mas inundada de Jesus
Cristo, que irradia em paz, paciência, serenidade .
Referindo-se
à oração do Jesus diz-nos: - “A oração irrompia no meu coração e eu precisava
de calma e quietude para deixar essa chama subir livremente e para esconder um
pouco os sinais exteriores da oração:l ágrimas,suspiros,expressões de
rosto,murmúrios dos lábios” e mais adiante “Qualquer pessoa pode fazer a mesma
coisa. Basta mergulhar mais silenciosamente no fundo do coração e invocar mais o
nome de Jesus Cristo: imediatamente se descobre a luz interior,t udo fica mais
claro e, nessa clareza, aparecem certos mistérios do Reino de Deus.” (Lc 17,21)
A oração do coração
A
linguagem de Deus apenas se pode entender com o coração.No centro de nós
próprios ,no mais profundo, Deus fala-nos.
Mas
nesta vida em que as palavras,os pedidos,as exigências se tornaram tão presentes…é difícil
parar para ouvir a voz do coração.
É
difícil quando a mente é
solicitada de forma sempre mais envolvente para acompanhar os avanços da ciência ou o desenvolvimento
da técnica, fazê-la concentrar-se no coração.
Para
nos ajudar temos a rica espiritualidade dos padres do deserto.Esses autores
espirituais abrem-nos a via para reconhecermos que somos parte inerente de Deus
e assim participantes da ilimitada capacidade de dar e receber amor.
Aos
padres do deserto,forma que geralmente se usa,para dominar as primeiras formas
de monaquismo surgidas nos desertos do Egipto ou da Palestina,do século III ao VI ,devemos a oração do coração que depois os místicos orientais,designadamente
na Rússia desenvolveram.
Consiste
essa oração em aquietar a mente,fazendo-a descer ao coração e aí ser absorvida
pela contemplação do Senhor,que está presente em nós até que nada mais reste do
que o encontro pleno de Deus e da sua criatura.
E
como é a oração do coração,que nos coloca em orante permanência e sempre
vigilantes,para nos irmos configurando cada vez mais a Cristo,Senhor nosso?
Consiste
em com simplicidade e humildade, invocarmos constantemente o nome de Jesus,com
um coração, que se esvazia de pensamentos e preocupações para se deixar
abraçar,na sua totalidade,pela misericórdia de Deus.
Assim
nos indicam vários monges do deserto,cujas falas foram recolhidas nesse pequeno
tesouro da esoiritualidade oriental que se chama Filocalia.
Mais tarde,no século XII,S.Bernardo de Claraval veio
indicar-nos ,também no Ocidente,a poderosa força do nome de Jesus,escrevendo:
Jesus é mel na boca, doce melodia no ouvido, alegria no
coração. Mas é também medicina. Há no meio de vós alguém triste? Jesus desça ao
coração e depois suba aos lábios; e eis que à luz desse nome desaparecem todas
as nuvens, volta a serenidade. Cometeu alguém um pecado? Corre desesperado ao
laço da morte? Mas se invocar esse nome de vida, não há de sentir imediatamente
o respiro vital?... A quem é que, agitado e hesitante nos perigos, a invocação
desse nome de força não restituiu imediatamente a confiança e repeliu o
medo?... Nada melhor refreia o ímpeto da ira, reprime o tumor da soberba e cura
a ferida da inveja...".
A oração comunitária
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| Taizé |
Desde o princípio, os cristãos sentiam-se movidos a orar em comum e experimentavam a poderosa presença do Senhor :-. Perseveravam eles na doutrina dos apóstolos, na reunião em comum, na fracção do pão e nas orações Actos 2,42
Haviam entendido de uma forma profunda as palavras de Jesus ao dizer: "Porque onde dois ou três estão reunidos em meu nome, aí estou eu no meio deles". (Mt 18,20)
De uma maneira misteriosa e intima Jesus associa-nos à sua oblação,à sua oração na santa missa,onde a comunidade celebra e ora em conjunto com o sacerdote em coroamento por excelência da oração comunitária.
A nossa atitude de correspondência à iniciativa do Pai, em nos convocar para Eucaristia, manifesta-se no louvor cantado,mas também em tempos de silêncio e de comunhão.
Os 150 salmos, que eram a oração habitual de Cristo,de sua Mãe ou dos discípulos ,contém orações de súplica,orações de louvor,mas também contém espaços em que apenas o coração se abre ao fulgor da misericórdia.Como crianças saciadas deixamos de gritar e de pedir e aninhamo-nos no colo da mãe . 2. … mantenho em calma e sossego a minha alma, tal como uma criança no seio materno, assim está minha alma em mim mesmo.S 131.
Mas confiantes em Jesus,que impera sobre os ventos tempestuosos da nossa vida ,como o fez no mar da Galileia,vamos pedir-Lhe que coloque o nosso coração numa tranquilidade receptiva e transformante, para que na actuação do Espírito ,sintamos a brisa suave da Presença de Deus – ( 1 Rs19,11-12) .E nessa transformação que os outros estejam sempre a acontecer.AMEN!
sábado, 8 de junho de 2013
A oração é um ENCONTRO
Quando
começamos a compreender que na oração vamos encontrar Alguém e Alguém que nos
ama de forma única o sentido da nossa oração muda.
Não
é mais um dever,uma obrigação mas uma corrida para o dialogo em que o coração
escuta a voz do Pai e adora o Espírito que em si reza de forma inexprimível
produzindo uma necessidade cada vez mais forte de conformar o nosso eu a
Jesus,nosso divino Irmão.
Dizia-nos
um monge trapista, sobre a oração ,em que vivia imerso:
“A oração não é só uma criação do
Pai, mas também um dos poucos caminhos pelo qual o homem consegue chegar ao
nível da linguagem divina. Quando o homem ora, o Pai consegue compreender a
linguagem dos filhos. Sublinho que orar não significa forçosamente existência
de sons, pode muito bem apenas ser a tua presença.”
Na continuidade da oração vamos
descobrindo que o Pai se vai revelando à medida do nosso próprio mistério,movendo as
fibras mais ocultas do nosso ser na Sua direcção.
Muitas vezes nos apontam métodos e
formas de rezar,mas nunca podemos abstrair a nossa maneira pessoal,o nosso
esforço único de encontrar o Senhor.Vemos nos Evangelhos que todos os encontros
de Jesus são pessoais.
Quando os encontros se tornam mais
e mais frequentes as virtualidades, que em nós existem, vão-se expandindo em vida de abundantes
frutos.
O Padre jesuíta Dário Pedroso
dá-nos ,em síntese, toda a maravilhosa realidade dos nossos tempos com Deus:
“Com a
oração dar-se-á aos poucos a evangelização do nosso interior, da alma, do
coração, da inteligência, da vontade, do afecto, do ser e da vida. Oração que
não seja pietismo estéril, piedade balofa, espiritualidade vazia, mas grandeza
de alma, plena de Deus, da sua vida e da sua graça. Por isso, oração que
transforma, que cristifica, que converte, que cura, que transfigura, que nos
mergulha em Deus e nos dá paz e alegria. Oração que nos faz viver de outro modo
e nos compromete com os homens, com o mundo.
Oração que nos dará o fogo dos Apóstolos da manhã de Pentecostes. Oração que nos fará incendiários ao jeito de Jesus. Oração que nos dará a graça de vivermos a vida com paixão, de coração aberto para amar sem medida.
Oração que nos fará aprender a morrer, como o grão de trigo, para que os outros tenham vida e a tenham em abundância. Oração que nos abrirá o coração ao amor louco e apaixonado de Deus e nos fará descobri-Lo sempre, e cada vez mais e melhor, como o tesouro das nossas vidas.”
Oração que nos dará o fogo dos Apóstolos da manhã de Pentecostes. Oração que nos fará incendiários ao jeito de Jesus. Oração que nos dará a graça de vivermos a vida com paixão, de coração aberto para amar sem medida.
Oração que nos fará aprender a morrer, como o grão de trigo, para que os outros tenham vida e a tenham em abundância. Oração que nos abrirá o coração ao amor louco e apaixonado de Deus e nos fará descobri-Lo sempre, e cada vez mais e melhor, como o tesouro das nossas vidas.”
sexta-feira, 7 de junho de 2013
A oração dos importunos
De muitas maneiras Jesus nos faz sentir que a oração faz parte integrante do cristão.
Como está escrito em Lucas 18,1 - Propôs-lhes Jesus uma parábola para mostrar que é necessário orar sempre sem jamais deixar de fazê-lo.
Para que compreendamos bem qual o valor que tem para o Pai a nossa comunicação com Ele,recorre a parábolas ,em que com cores bem vivas ,nos descreve que devemos ser até importunos,insistir sem desfalecimento,não desistindo ,de em harmonia com a vontade de Deus, fazermos os nossos pedidos e súplicas,como é próprio dos filhos.(Lucas 18,2).
Assim nos fala Jesus da viúva ,que conseguiu obter justiça pela sua persistência (Lucas 18,2) ou do amigo que conseguiria alcançar os pães necessários,porque não se cansava de os pedir.(Lucas 11,5).
O dinamismo da nossa relação com Deus dá-nos essa intimidade com uma aproximação tão intensa,que permite até sermos importunos.
Que prova de amor tão grande o Pai nos concede ,que como abdicando da sua grandeza e glória,nos aproxima Dele em dialogo tão familiar,como só um Abba cheio de ternura e de complacência por estes seres frágeis que somos ,mas a quem quiz entregar a graça da filiação divina.
Diz S.Paulo ,lançando-nos nos braços amorosos do Pai: 6. Não vos inquieteis com nada! Em todas as circunstâncias apresentai a Deus as vossas preocupações, mediante a oração, as súplicas e a acção de graças.Fl 4
Mas em todos os nossos pedidos e súplicas sempre estará presente o maior dom que o Pai nos pode conceder : 13. Se vós, pois, sendo maus, sabeis dar boas coisas a vossos filhos, quanto mais vosso Pai celestial dará o Espírito Santo aos que lho pedirem.Lucas 11
Na verdade,no nosso coração, apenas com o Espírito Santo podemos implorar:Abba,Paizinho querido,Pai Santo,Pai bem amado.
quarta-feira, 5 de junho de 2013
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