quarta-feira, 5 de junho de 2013
segunda-feira, 3 de junho de 2013
Mais uma memória da Terra Santa
EU ,JOÃO,VI A CIDADE SANTA
“Eu ,João,vi a cidade santa,a nova Jerusalém...O seu esplendor é como o de
uma pedra preciosíssima,uma pedra de jaspe cristalino...Eis a tenda de Deus com
os homens.Ele habitará com eles:eles serão o seu povo e Ele,Deus-com-eles,será o seu Deus.”
As palavras do Apóstolo desfilavam,ardentes,no meu espirito e apenas estava
a contemplar,por entre os peregrinos,a Jerusalém terrestre,naquele fim de tarde
que acendia esplendores de luzes e brilhos sobre a cidade.
Os crentes do Deus único,os povos da Escritura tinham marcado
definitivamente a cidade com as suas diferentes formas de manifestação
religiosa,concedendo um cunho singular e único a Jerusalém.Assim,o sol tombante
imprimia fulgores sobre a cidadela de David,a cúpula dourada da mesquita de
Omar e os vários capiteis arredondados que cobriam a Igreja ortodoxa de Santa
Maria Madalena.
A cidade,três vezes santa,surgira por entre salmos de júbilo e era
impossivel não pensar em todas as precedentes gerações que de coração assaltado
por igual ansiedade,tinham feito,pacifícamente,o mesmo caminho e quantas vezes
nas situações mais adversas.
Conquistada Jerusalém aos Jebuseus pelo rei David,foi por ele aumentada dos
muros da velha povoação existente.No Monte Moriah,ergueu o filho de David,Salomão,um
templo grandioso cumprindo a promessa feita a Deus,por o Anjo do extermínio
haver embaínhado a sua espada.
Do bem documentado livro do Pe J.Alves Terças “A Caminho da Terra
Santa”,precioso para quem nela peregrina ,se pode ler que tendo levado o templo sete anos a ser
construído,nele trabalharam diáriamente trinta mil operários dos melhores
artistas de Israel.Dez mil trabalhadores seguiam todos os meses para o Libano
para trazer as madeiras de cedro e pinheiro que deviam ser utilizadas no seu
interior.Oitenta mil talhavam a pedra destinada aos ornamentos.
400 anos depois o templo foi destruído em guerra sangrenta,a que se seguiu
o exílio na Babilónia.Jeremias,o profeta, lamentou sobre as ruínas ainda
fumegantes,a cidade arrasada.
Foi reconstruído o templo pelo rei Herodes,pouco antes do nascimento de
Cristo,para ser de novo arrasado,com toda a cidade,70 anos depois da sua morte
pelas legiões de Tito,o imperador de Roma.Assim se apenas encontramos da cidade onde o Salvador sofreu a sua
Paixão,o o muro ocidental do 1º Templo ,as escadas de Cedron que tantas vezes
eram súbidas e descidas por Jesus,a caminho do Monte das Oliveiras ou um ou
outro vestígio arqueológico como a Piscina Probática,não deixamos de sentir
intensamente que pisamos terra sagrada,que é nossa pátria também, porque o mais
importante,como dizia Saint Exupéry,não é visível aos olhos.
Em Jerusalém os Evangelhos tornaram-se vivos,em tempo e espaço palpáveis e
não só na sua imorredoura mensagem.As cúpulas douradas das mesquitas no lugar
do Templo,o Monte das Oliveiras, a Via Dolorosa, as Portas de Jerusalém e depois as infindáveis igrejas e
basílicas sagram os lugares em que Cristo,viveu,pregou e sofreu.Alguns desses
solos são históricamente autênticos pois Tito ao erger neles templos aos deuses
de Roma,para evitar a veneração dos cristãos,assinalou para sempre os santos
lugares e essa realidade torna
facil e tocante acompanhar os passos de Jesus e estar com ele na última ceia ou
no caminho para o calvário,mesmo no meio das ruas borbulhantes de comércio,que
nos rodeiam,tal como no seu tempo,na parte velha de Jerusalém.Eis assim como as
estações da Via sacra se vão desenrolando emotivamente,com os peregrinos
rezando cada uma delas e precedendo-as de uma pequena introdução.De coração
fremente pela dignidade do momento e pela consciência da própria fraqueza,as
palavras da 6ª estação-o encontro de Verónica com Jesus-foram-me saíndo aproximadamente por esta forma:“É
uma mulher, que sai de casa para dar apoio a um condenado,arrostando a hostilidade
dos seus cidadãos,que receiam as possiveis sanções do poder.Que também nos seja
possivel dar a mão a quem
precisa,sem sequer perguntarmos se pertence ao nosso lado,mesmo que com isso
arrisquemos alguma coisa.”
Num sábado demandamos o “Kotel Hamaravi” ou seja a parede ocidental do
Templo,também conhecida por muro das lamentações,onde os nossos pais na
fé,choram ainda a sua destruição.E
aí lembrámos quantas vezes subiu
Jesus ao Templo,orando,ensinando ou protegendo o povo,que “que vinha a ele”
desde manhãzinha.
No dia seguinte,depois de nos recolhermos no local em que se recorda o túmulo de David,a cuja estirpe
pertencia Jesus,entrámos no Cenáculo,onde um grupo de peregrinos louvava o
Senhor entoando cânticos vibrantes de profunda alegria,celebrando a entrega
do Amor radical aos filhos do
homem e que o anunciavam de forma transparente,tão cheios que eram de
força,pujança e júbilo fazendo contraste com os cantos muitas vezes
lamentosos,se bem que técnicamente perfeitos,que ouvimos nas celebrações religiosas,onde segundo
creio,se assimila solenidade com tristeza,não chegando a reflectir o
maravilhoso dom do Amor de Deus
pelas suas criaturas e a alegria,que desse facto emana.
E se nos atormenta a mágua de
sentir a terra de Jesus ainda tão ensombrada por ódios de tempos oprimidos,onde
as palavras de Victor Hugo,que cito de cor, parecem vir muito a propósito
:-”Comprazem-se o homens com a guerra e
perde Deus tempo a fazer estrelas e
flores”,não podemos esquecer as promessas do Salvador que nos levam a
esperar que toda a Criação será por Ele atraída e transformada.
A última lembrança de Jerusalém está associada ao Santo Sepulcro,de que
ficou uma memória dorida dos cristãos divididos,celebrando,à
vez,o mesmo Senhor.E também a emoção do nosso hino tocado no orgão,depois da
Missa,a singeleza da pequena capelinha copta,a percepção da pugente e solitária
presença da Mãe Maria e das outras mulheres,na hora derradeira.
Ao despedir-me do Santo Sepulcro,senti,fortes,as palavras do Anjo da Vida:
“Ressuscitou.Não está aqui” e a vigorosa profissão de fé de Job me acompanhou
na angústia pressentida da partida :”Porque eu sei que o meu Redentor vive e
que no último dia ressurgirei da terra e serei novamente revestido da minha
pele e na minha própria carne verei o meu Deus.Eu mesmo o verei e os meus olhos
O hão-de contemplar e não outro:esta é a esperança que está depositada no meu
peito”.
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Terra Santa
Memória da minha passagem na Terra Santa
Os
três anjos à porta de Jerusalém
Era
quente aquela tarde de Setembro quando celebrámos a Eucaristia no Monte das
Bemaventuranças.
Pelas
doces colinas até ao mar da Galileia,vazio de barcas e de redes ,ecoavam ainda
as palavras de Jesus ,com o seu programa de vida "em abundância",sentindo-se
o sussurrar da multidão ao tentar aproximar-se,porque dele emanava "um
poder" e "poder que curava todos".
E ao
outro dia,pelo deserto da Judeia,subiamos a Jerusalém.O calor aumenta.Os sinais
de vida humana desaparecem.O despojamento da paisagem com a sua austera
rudeza,comove.Livre de construções,muitas e muitas vezes derrubadas e
reconstruídas,mantém a autenticidade dos primeiros tempos.
Ali
foi Jesus tentado,ajudando os homens a fugir de uma das mais aliciantes e
subtis tentações de todas as idades e estados:a tentação do poder pelo poder.
Ali,no
deserto,o homem assaltado pelos ladrões e tão despido de toda a segurança,foi
ajudado pelo inimigo oficial,depois de desprezado pelos naturalmente
vocacionados para o socorrerem,ficando então ,para sempre, alterado pelas
palavras de Jesus o conceito milenar de próximo.
E no
sopé dos montes escalvados de um amarelo indeciso,onde rareavam uns arbustos
verdes cobertos da poeira,perto de um conjunto de pequenas casas abandonadas
apareceram súbitamente três meninos escuros,talvez etíopes.Os três meninos
tinham uma cabrinha e não pareciam pertencer a nada nem a ninguém.A aldeia
abandonada,a fina poeira,o calor terrível e os três meninos.
Se os Anjos costumam tradicionalmente
ser brancos e louros,o modo como aqueles três meninos apareciam naquele lugar
tão desolado,não lhes tirava a possibilidade de o serem,alterando os conceitos
clássicos ,sobre o aspecto dos anjos.
Podiam ser mensageiros de Deus-missão
especial para os Anjos quando partilham,temporáriamente visíveis,o espaço dos
homens-e mensageiros bem fortes e de uma impressionante clareza,que Deus
responsabiliza a humanidade esquecida do mandamento do Amor,pelos milhões
de meninos,que chegam a nascer,mas para brevemente serem mortos ou para não
terem uma vida digna de seus filhos.
E às portas de Jerusalém,num dia tórrido de
Setembro o apelo dos três meninos,que era bem do tamanho do mundo,ficou
assente,magoadamente,no coração dos peregrinos.
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Terra Santa
Saudades
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¸...´¯`·.¸¸..>"((((º>.·´¯`·.¸¸.·`·.¸>"((((º> QUERO
MERGULHAR NAS PROFUNDEZAS DO ESPÍRITO DE DEUS.
domingo, 26 de maio de 2013
Vim trazer o fogo
Ah..que se a experiência das coisas divinas não fosse como as demais, um facto individual e intransmissível, eu havia de passar para o teu peito tudo quanto no meu arde, para também tu arderes.
Desculpa a forma pessoal do meu dizer de hoje. É falar de apaixonado. É por teu amor que o faço ; queria que tivesses a mesma paixão. Vem!"
Padre Américo.
Como era bom que este fogo ateasse na gente nova,em amor incendiante pelos mais fracos e pobres, ao apelo de Jesus ."«Vim trazer o fogo à terra, e como desejaria que já estivesse aceso Lucas 12:49»
Desculpa a forma pessoal do meu dizer de hoje. É falar de apaixonado. É por teu amor que o faço ; queria que tivesses a mesma paixão. Vem!"
Padre Américo.
Como era bom que este fogo ateasse na gente nova,em amor incendiante pelos mais fracos e pobres, ao apelo de Jesus ."«Vim trazer o fogo à terra, e como desejaria que já estivesse aceso Lucas 12:49»
segunda-feira, 20 de maio de 2013
O encontro de duas sedes
Muitas
vezes as sagradas Escrituras nos falam da sede de Deus.De uma forma ardente ,os
salmistas e os profetas encontraram as formas mais significativas de exprimir como os filhos do homem
sentem intensamente a saudade de Deus.
A
minha alma tem sede de Deus, do Deus vivo; quando irei contemplar a face de
Deus? (Sl 41,3)
Ó
Deus, vós sois o meu Deus, com ardor vos procuro. Minha alma está sedenta de
vós, e minha carne por vós anela como a terra árida e sequiosa, sem água. (Sl
62,2)
Estendo
para vós os braços; minha alma, como terra árida, tem sede de vós. (Sl 142,6)
Por
vezes a nossa terra árida não compreende ou não aceita a verdadeira causa de
estar sequiosa.E na busca de sucedâneos o nosso eu profundo desgasta-se e
perde-se.
"Porque
meu povo cometeu uma dupla perversidade: abandonou-me, a mim, fonte de água
viva, para cavar cisternas, cisternas fendidas que não retêm a água". (Jr
2,13)
Mas
a nossa sede não é única.O nosso Deus é um Deus envolvente.Também Ele, desde
sempre, tem sede de nós.Não aceita a nossa demissão,os nossos
abandonos.Pacientemente procura cada um de nós,como o mais amorável dos pais.
E no
encontro, não cobre o filho extraviado apenas de beijos e abraços.Oferece os
dons grandiosos que Jesus descreve com imagens das mais lindas que a visão humana pode atingir:
…mas
o que beber da água que eu lhe der jamais terá sede. Mas a água que eu lhe der
virá a ser nele fonte de água, que jorrará até a vida eterna". (Jo 4,14)
"Quem crê em mim, como diz a Escritura: Do seu interior
manarão rios de água viva (Zc 14,8; Is 58,11)". (Jo 7,38)
Na
verdade,quem não se extasiou perante uma cachoeira ou uma cascata em que a
poalha irisada de luz reveste a água com mil reflexos de um esplendor magnifico,que o Apocalipse descreve com
palavras fortes e belas..
"Novamente me disse: Está pronto! Eu sou o Alfa e o
Ômega, o Começo e o Fim. A quem tem sede eu darei gratuitamente de beber da
fonte da água viva". (Ap 21,6)
"Mostrou-me então o anjo um rio de água viva
resplandecente como cristal de rocha, saindo do trono de Deus e do
Cordeiro". (Ap 22,1)
Senhor,faz-nos
compreender que apenas a tua água viva pode saciar a nossa sede! Senhor,faz que
a minha e a tua sede se encontrem no abraço , que anuncia as núpcias eternas!
segunda-feira, 13 de maio de 2013
um coração que Te escute
Dai-me, Senhor, um coração que Te escute
Eis o meu Filho muito amado,
em quem pus toda minha afeição; ouvi-o". (Mt 17,4)
Quando oramos falamos com
Deus e Ele fala connosco,se bem que de um jeito diferente do nosso. O salmo 24
diz-nos ,na sua sabedoria milenar,para estarmos abertos à sua PRESENÇA. “14. O
Senhor se torna íntimo dos que o temem, e lhes manifesta a sua aliança.”
Mas para O ouvirmos é
necessário que o nosso coração se prepare.A escuta de Deus pede-nos uma
rotura,um deixar das nossas dispersões. Deixemos as nossas vistas cheias das
imagens do dia,as nossas preocupações,as memórias dos nosso trabalhos e
exponhamos as nossas vidas inteiramente à misericórdia do Pai, sem que os
nossos lábios ou nosso interior utilize fórmulas,articule palavras.Ele irá
falar-nos no mais profundo do nosso ser.Façamos silêncio.
Maria,a doce mãezinha de
Jesus e nossa,sempre nos ensina como proceder: Maria conservava todas estas
palavras, meditando-as no seu coração (Lc 2,19).
E como a flor toma a cor,por
estar exposta ao sol, assim os nossos corações ficarão cada vez mais conformes
a Cristo à medida que cada vez mais e mais intensamente deixarmos a Sua
Luz entrar e agir.
Dai-nos,
Senhor um coração que Te escute na Palavra,nos nossos irmãos,no Espírito que
habita em nosso peito!.
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