Eu amo-Vos Jesus pela multidão que se abriga dentro de vós, que ouço, com todos os outros seres, falar, rezar, chorar, quando me junto a Vós.
TEILHARD DE CHARDIN

segunda-feira, 3 de junho de 2013

Mais uma memória da Terra Santa


EU ,JOÃO,VI A CIDADE SANTA




“Eu ,João,vi a cidade santa,a nova Jerusalém...O seu esplendor é como o de uma pedra preciosíssima,uma pedra de jaspe cristalino...Eis a tenda de Deus com os homens.Ele habitará com eles:eles serão o seu povo e  Ele,Deus-com-eles,será o seu Deus.”
As palavras do Apóstolo desfilavam,ardentes,no meu espirito e apenas estava a contemplar,por entre os peregrinos,a Jerusalém terrestre,naquele fim de tarde que acendia esplendores de luzes e brilhos sobre a cidade.
Os crentes do Deus único,os povos da Escritura tinham marcado definitivamente a cidade com as suas diferentes formas de manifestação religiosa,concedendo um cunho singular e único a Jerusalém.Assim,o sol tombante imprimia fulgores sobre a cidadela de David,a cúpula dourada da mesquita de Omar e os vários capiteis arredondados que cobriam a Igreja ortodoxa de Santa Maria Madalena.
A cidade,três vezes santa,surgira por entre salmos de júbilo e era impossivel não pensar em todas as precedentes gerações que de coração assaltado por igual ansiedade,tinham feito,pacifícamente,o mesmo caminho e quantas vezes nas situações mais adversas.
Conquistada Jerusalém aos Jebuseus pelo rei David,foi por ele aumentada dos muros da velha povoação existente.No Monte Moriah,ergueu o filho de David,Salomão,um templo grandioso cumprindo a promessa feita a Deus,por o Anjo do extermínio haver embaínhado a sua espada.

Do bem documentado livro do Pe J.Alves Terças “A Caminho da Terra Santa”,precioso para quem nela peregrina ,se pode ler que  tendo levado o templo sete anos a ser construído,nele trabalharam diáriamente trinta mil operários dos melhores artistas de Israel.Dez mil trabalhadores seguiam todos os meses para o Libano para trazer as madeiras de cedro e pinheiro que deviam ser utilizadas no seu interior.Oitenta mil talhavam a pedra destinada aos ornamentos.

400 anos depois o templo foi destruído em guerra sangrenta,a que se seguiu o exílio na Babilónia.Jeremias,o profeta, lamentou sobre as ruínas ainda fumegantes,a cidade arrasada.

Foi reconstruído o templo pelo rei Herodes,pouco antes do nascimento de Cristo,para ser de novo arrasado,com toda a cidade,70 anos depois da sua morte pelas legiões de Tito,o imperador de Roma.Assim se apenas encontramos  da cidade onde o Salvador sofreu a sua Paixão,o o muro ocidental do 1º Templo ,as escadas de Cedron que tantas vezes eram súbidas e descidas por Jesus,a caminho do Monte das Oliveiras ou um ou outro vestígio arqueológico como a Piscina Probática,não deixamos de sentir intensamente que pisamos terra sagrada,que é nossa pátria também, porque o mais importante,como dizia Saint Exupéry,não é visível aos olhos.

Em Jerusalém os Evangelhos tornaram-se vivos,em tempo e espaço palpáveis e não só na sua imorredoura mensagem.As cúpulas douradas das mesquitas no lugar do Templo,o Monte das Oliveiras, a Via Dolorosa, as  Portas de Jerusalém e depois as infindáveis igrejas e basílicas sagram os lugares em que Cristo,viveu,pregou e sofreu.Alguns desses solos são históricamente autênticos pois Tito ao erger neles templos aos deuses de Roma,para evitar a veneração dos cristãos,assinalou para sempre os santos lugares e essa realidade  torna facil e tocante acompanhar os passos de Jesus e estar com ele na última ceia ou no caminho para o calvário,mesmo no meio das ruas borbulhantes de comércio,que nos rodeiam,tal como no seu tempo,na parte velha de Jerusalém.Eis assim como as estações da Via sacra se vão desenrolando emotivamente,com os peregrinos rezando cada uma delas e precedendo-as de uma pequena introdução.De coração fremente pela dignidade do momento e pela consciência da própria fraqueza,as palavras da 6ª estação-o encontro de Verónica com Jesus-foram-me  saíndo aproximadamente por esta forma:“É uma mulher, que sai de casa para dar apoio a um condenado,arrostando a hostilidade dos seus cidadãos,que receiam as possiveis sanções do poder.Que também nos seja possivel  dar a mão a quem precisa,sem sequer perguntarmos se pertence ao nosso lado,mesmo que com isso arrisquemos alguma coisa.”

Num sábado demandamos o “Kotel Hamaravi” ou seja a parede ocidental do Templo,também conhecida por muro das lamentações,onde os nossos pais na fé,choram  ainda a sua destruição.E aí lembrámos  quantas vezes subiu Jesus ao Templo,orando,ensinando ou protegendo o povo,que “que vinha a ele” desde manhãzinha.  

No dia seguinte,depois de nos recolhermos no local em que se recorda o  túmulo de David,a cuja estirpe pertencia Jesus,entrámos no Cenáculo,onde um grupo de peregrinos louvava o Senhor entoando cânticos vibrantes de profunda alegria,celebrando a entrega do  Amor radical aos filhos do homem e que o anunciavam de forma transparente,tão cheios que eram de força,pujança e júbilo fazendo contraste com os cantos muitas vezes lamentosos,se bem que técnicamente perfeitos,que ouvimos  nas celebrações religiosas,onde segundo creio,se assimila solenidade com tristeza,não chegando a reflectir o maravilhoso dom  do Amor de Deus pelas suas criaturas e a alegria,que desse facto emana.


E se  nos atormenta a mágua de sentir a terra de Jesus ainda tão ensombrada por ódios de tempos oprimidos,onde as palavras de Victor Hugo,que cito de cor, parecem vir muito a propósito :-”Comprazem-se o homens com a guerra e  perde  Deus tempo a  fazer  estrelas e  flores”,não podemos esquecer as promessas do Salvador que nos levam a esperar que toda a Criação será por Ele atraída e transformada.

A última lembrança de Jerusalém está associada ao Santo Sepulcro,de que ficou uma memória  dorida  dos cristãos divididos,celebrando,à vez,o mesmo Senhor.E também a emoção do nosso hino tocado no orgão,depois da Missa,a singeleza da pequena capelinha copta,a percepção da pugente e solitária presença da Mãe Maria e das outras mulheres,na hora derradeira.  

Ao despedir-me do Santo Sepulcro,senti,fortes,as palavras do Anjo da Vida: “Ressuscitou.Não está aqui” e a vigorosa profissão de fé de Job me acompanhou na angústia pressentida da partida :”Porque eu sei que o meu Redentor vive e que no último dia ressurgirei da terra e serei novamente revestido da minha pele e na minha própria carne verei o meu Deus.Eu mesmo o verei e os meus olhos O hão-de contemplar e não outro:esta é a esperança que está depositada no meu peito”.


Memória da minha passagem na Terra Santa


Os três anjos à porta de Jerusalém



Era quente aquela tarde de Setembro quando celebrámos a Eucaristia no Monte das Bemaventuranças.

Pelas doces colinas até ao mar da Galileia,vazio de barcas e de redes ,ecoavam ainda as palavras de Jesus ,com o seu programa de vida "em abundância",sentindo-se o sussurrar da multidão ao tentar aproximar-se,porque dele emanava "um poder" e "poder que curava todos".

E ao outro dia,pelo deserto da Judeia,subiamos a Jerusalém.O calor aumenta.Os sinais de vida humana desaparecem.O despojamento da paisagem com a sua austera rudeza,comove.Livre de construções,muitas e muitas vezes derrubadas e reconstruídas,mantém a autenticidade dos primeiros tempos.

Ali foi Jesus tentado,ajudando os homens a fugir de uma das mais aliciantes e subtis tentações de todas as idades e estados:a tentação do poder pelo poder.

Ali,no deserto,o homem assaltado pelos ladrões e tão despido de toda a segurança,foi ajudado pelo inimigo oficial,depois de desprezado pelos naturalmente vocacionados para o socorrerem,ficando então ,para sempre, alterado pelas palavras de Jesus o conceito milenar de próximo.


E no sopé dos montes escalvados de um amarelo indeciso,onde rareavam uns arbustos verdes cobertos da poeira,perto de um conjunto de pequenas casas abandonadas apareceram súbitamente três meninos escuros,talvez etíopes.Os três meninos tinham uma cabrinha e não pareciam pertencer a nada nem a ninguém.A aldeia abandonada,a fina poeira,o calor terrível e os três meninos.

Se os Anjos costumam tradicionalmente ser brancos e louros,o modo como aqueles três meninos apareciam naquele lugar tão desolado,não lhes tirava a possibilidade de o serem,alterando os conceitos clássicos ,sobre o aspecto dos anjos.

Podiam ser mensageiros de Deus-missão especial para os Anjos quando partilham,temporáriamente visíveis,o espaço dos homens-e mensageiros bem fortes e de uma impressionante clareza,que Deus responsabiliza a humanidade esquecida do mandamento do Amor,pelos milhões de meninos,que chegam a nascer,mas para brevemente serem mortos ou para não terem uma vida digna de seus filhos.

E às portas de Jerusalém,num dia tórrido de Setembro o apelo dos três meninos,que era bem do tamanho do mundo,ficou assente,magoadamente,no coração dos peregrinos.



Saudades



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domingo, 26 de maio de 2013

Vim trazer o fogo

Ah..que se a experiência das coisas divinas não fosse como as demais, um facto individual e intransmissível, eu havia de passar para o teu peito tudo quanto no meu arde, para também tu arderes.
Desculpa a forma pessoal do meu dizer de hoje. É falar de apaixonado. É por teu amor que o faço ;  queria que tivesses a mesma paixão. Vem!"

Padre Américo.


Como era bom que este fogo ateasse na gente nova,em amor incendiante pelos mais fracos e pobres, ao apelo de  Jesus ."«Vim trazer o fogo à terra, e como desejaria que já estivesse aceso Lucas 12:49»

segunda-feira, 20 de maio de 2013

O encontro de duas sedes



Muitas vezes as sagradas Escrituras nos falam da sede de Deus.De uma forma ardente ,os salmistas e os profetas encontraram as formas  mais significativas de exprimir como os filhos do homem sentem intensamente a saudade de Deus.

A minha alma tem sede de Deus, do Deus vivo; quando irei contemplar a face de Deus? (Sl 41,3)

Ó Deus, vós sois o meu Deus, com ardor vos procuro. Minha alma está sedenta de vós, e minha carne por vós anela como a terra árida e sequiosa, sem água. (Sl 62,2)

Estendo para vós os braços; minha alma, como terra árida, tem sede de vós. (Sl 142,6)

Por vezes a nossa terra árida não compreende ou não aceita a verdadeira causa de estar sequiosa.E na busca de sucedâneos o nosso eu profundo desgasta-se e perde-se.

"Porque meu povo cometeu uma dupla perversidade: abandonou-me, a mim, fonte de água viva, para cavar cisternas, cisternas fendidas que não retêm a água". (Jr 2,13)

Mas a nossa sede não é única.O nosso Deus é um Deus envolvente.Também Ele, desde sempre, tem sede de nós.Não aceita a nossa demissão,os nossos abandonos.Pacientemente procura cada um de nós,como o mais amorável dos pais.

E no encontro, não cobre o filho extraviado apenas de beijos e abraços.Oferece os dons grandiosos que Jesus descreve com imagens das mais  lindas que a visão humana pode atingir:

…mas o que beber da água que eu lhe der jamais terá sede. Mas a água que eu lhe der virá a ser nele fonte de água, que jorrará até a vida eterna". (Jo 4,14)

"Quem crê em mim, como diz a Escritura: Do seu interior manarão rios de água viva (Zc 14,8; Is 58,11)". (Jo 7,38)

Na verdade,quem não se extasiou perante uma cachoeira ou uma cascata em que a poalha irisada de luz reveste a água com mil reflexos de um esplendor  magnifico,que o Apocalipse descreve com palavras fortes e belas..


"Novamente me disse: Está pronto! Eu sou o Alfa e o Ômega, o Começo e o Fim. A quem tem sede eu darei gratuitamente de beber da fonte da água viva". (Ap 21,6)

"Mostrou-me então o anjo um rio de água viva resplandecente como cristal de rocha, saindo do trono de Deus e do Cordeiro". (Ap 22,1)


Senhor,faz-nos compreender que apenas a tua água viva pode saciar a nossa sede! Senhor,faz que a minha e a tua sede se encontrem no abraço , que anuncia as núpcias eternas!

segunda-feira, 13 de maio de 2013

um coração que Te escute



A paz e o amor de Deus desçam e permaneçam em nós para sempre

              Dai-me, Senhor, um coração que Te escute

Eis o meu Filho muito amado, em quem pus toda minha afeição; ouvi-o". (Mt 17,4)

Quando oramos falamos com Deus e Ele fala connosco,se bem que de um jeito diferente do nosso. O salmo 24 diz-nos ,na sua sabedoria milenar,para estarmos abertos à sua PRESENÇA. “14. O Senhor se torna íntimo dos que o temem, e lhes manifesta a sua aliança.”

Mas para O ouvirmos é necessário que o nosso coração se prepare.A escuta de Deus pede-nos uma rotura,um deixar das nossas dispersões. Deixemos as nossas vistas cheias das imagens do dia,as nossas preocupações,as memórias dos nosso trabalhos e exponhamos as nossas vidas inteiramente à misericórdia do Pai, sem que os nossos lábios ou nosso interior utilize fórmulas,articule palavras.Ele irá falar-nos no mais profundo do nosso ser.Façamos silêncio.

Maria,a doce mãezinha de Jesus e nossa,sempre nos ensina como proceder: Maria conservava todas estas palavras, meditando-as no seu coração (Lc 2,19).

E como a flor toma a cor,por estar exposta ao sol, assim os nossos corações ficarão cada vez mais conformes a Cristo à medida que cada vez mais e mais intensamente deixarmos a Sua Luz  entrar e agir.

Dai-nos, Senhor um coração que Te escute na Palavra,nos nossos irmãos,no Espírito que habita em nosso peito!. 

domingo, 12 de maio de 2013

Pai Américo

"...quando o Evangelho é alimento diário e se respira na vida de cada dia, nele se aprende a viver o Espírito de Cristo, o seu testemunho e o seu modo de agir com todos, com predilecção para com os mais pobres.Foi assim com o Padre Américo e com o seu carisma,um precursor do Vaticano II..."

 António Marcelino, Bispo emérito de Aveiro
in Jornal "O Gaiato"