A palavra de Deus
"Levem isto daqui!"
Evangelho de Jesus Cristo segundo S.João,no capitulo 2,versículo 16
A meditação
Uma porta que se abre,a do Templo de Jerusalém.Por momentos,há gente mas ninguém atende.Está cheio de mercadores e de animais,que piam e balem.Um pouco como em nossa casa, um pouco como nos nossos corações onde acontece que tudo se agita,tudo se embrulha e zim bu bu ,faz barulho mas é o vazio que ressoa.Pode-se estar demasiado ocupado para lá estar,incapazes de ouvirmos quem bate à porta,quem pergunta se está alguém.
No templo Jesus entra com estrondo Está na sua casa,na casa de seu Pai nesta Casa que se chamava em tempos antigos"a Tenda do encontro".Mas,como se encontrar no meio de tanta algazarra,de tanta agitação?.Jesus fala alto,deita abaixo bancadas e mesas com um chicote de cordas .É preciso afastar os mercadores e quem afasta é Ele! De um jacto,nós entramos no ambiente ,inesperado para aqueles que fazem uma imagem menineira e açucarada de Deus feito homem.
O violento é ele ,porque se há uma violência do ódio,também há uma violência do amor.Para nós que hoje lemos este Evangelho,o Senhor dos lugares faz uma grande limpeza.Há tantas coisas ilusórias,sufocantes ou simplesmente nefastas a afastar para que brilhe em silêncio a lâmpada do santuário do nosso coração.Deixemos Jesus libertar em nós o espaço da vida,da presença,do verdadeiro encontro,deixe-mo-lo abrir as portas do templo pré-fabricado das nossas idéias préconcebidas.Entregue-mo-nos ao seu Sopro que nos coloca ao largo da vida e nos dá o entendimento da Palavra, que cumpre o que diz.Maria,a Mãe de Jesus,sempre discreta e presente ,está ao nosso serviço,a pedido,ela que nunca deixou durante a sua vida terrestre de guardar e conservar tudo o q via e ouvia,mesmo o mais estranho...
Prosseguindo a leitura do Evangelho ,depois de termos visto e ouvido a cena,pergunta-mo-nos porque,no fundo,Jesus se zangou tanto .Gritou:"Tirem isto daqui...não façam da casa do meu Pai uma casa de comércio!" (2,16). Deus,o Deus de Jesus Cristo,não é um vendedor de benefícios,dá sem cálculos,por puro amor. A sua porta está aberta "noite e dia" para o acolhimento,a partilha,o encontro.! Lá onde não se faz pagar a entrada.Lá,onde há lugar para todos os que o procuram ,tanto os pobres como os ricos os simples como os sábios e ninguém se empurra.Não é a multidão que congestiona o Templo,mas o desprezo,o orgulho e a cupidez dos homens.Os mercadores são duplamente culpados:utilizam o Templo para os seus interesses e abusam da boa gente fazendo-lhes acreditar que Deus espera os seus sacrifício para se ocupar deles.!Os sacrifícios,para uns,dão resultados,para outros só custos!Para agradar a Deus ,era preciso ter obrigações bem firmes. É estar longe,muito longe de Deus,com tais idéias! No Antigo Testamento os profetas gritavam em seu Nome:É o amor que me agrada e não o sacrifício".(Oseias capitulo 6,versículo 6). Se Jesus fez uma grande reviravolta nas nossas vidas ,é para nos ajudar a descobrir como o seu Pai nos ama e como ele nos ama...Não nos esgotemos a calcular,não nos agitemos em vão,, mesmo, nesta boa causa.Os nossos irmãos têm tanta necessidade de presença,de ternura,desta luz que não cega, mas que acalenta o coração,destes gestos simples que dizem ao outro que existe para nós e que tem valor,o único verdadeiro. O Amor que nos espera é gratuito,permanente e jamais se impõe.Os mais humildes são os primeiros a serem servidos...No Templo,a Bolsa não faz efeito,não se ouve senão bater o coração de Deus,em uníssono com o coração do homem.Há uma presença nova a descobrir quando o silêncio se torna perceptivel e quando,docemente,a paz se instala,ligeira e acolhedora.Paremos um pouco,demos atenção.Neste domingo,Jesus limpou-nos a estrada,abriu-nos perspectivas ,uma esperança. No Templo,libertado por Jesus,entra-se de mãos vazias.
domingo, 11 de março de 2012
sábado, 10 de março de 2012
Retiro na cidade - Viver o presente!
A Palavra de Deus
| "Trás-se ,por ventura, a lâmpada para a meter debaixo de um alqueire ou debaixo da cama ?" | |
| Evangelho de Jesus-Cristo segundo S.Marcos capitulo 4,versículo 21 |
A meditação
Depois do túnel,não adianta por vezes dizermos que se alcança a luz.Não a da experiência de morte eminente ,mas muito mais a das provas e desconcertos da existência ,no termo da qual o canto da Aleluia da Páscoa parece bem longe:ter-se-á feito o mal que tanto queriamos evitar ,e depois, tanta vezes, evitámos fazer o bem que se deveria, no entanto ,promover.Dito isto,não há senão desilusões de si mesmo e também dos outros para quem se tinha desejado o melhor:como por exemplo que encontrassem Jesus ou simplesmente que a sua vida fosse feliz e de múltiplas maneiras ,fecunda à sua volta.
O grande obstáculo a evitar é, desde sempre, considerar que a vida melhor é para mais tarde ,como se,aqui não tivessemos acesso senão a sucedâneos! As garantias da vida em Deus podem incarnar-se e serem partilhadas desde agora,como a experiência viva da amizade ou do banquete eucaristico para o qual o Amigo divino nos convida.Não saberiamos ser a “geração-de-indiferença “ cristã! No dia do julgamento ,Deus poderia perguntar-nos: “antes de morrer será que estiveram vivos, na vida que vos confiei?”Um irmão dominicano disse-me um dia”Tu sabes,basta uma pequena luz numa sala às escuras para começar a afastar a escuridão” Eu acrescentaria :basta fazer nascer um primeiro sorriso numa cara sombria ,para que o anúncio da transfiguração do meu irmão ,felizmente,se comece a desenhar.
Traduzido de
sexta-feira, 9 de março de 2012
Retiro na cidade - Não é o sofrimento que salva,mas o AMOR
| " Não protegi a minha face dos insultos e dos escarros" | |
Livro de Isaías,capitulo 50,versículo 6 |
Meditação
Na Sexta-feira Santa ,a Santa-face de Jesus está desfigurada: submeteu a sua face aos escarros,cumprindo assim a palavra do profeta Isaías. Durante esta quaresma, e mais ainda, talvez nos dias da Paixão, podemos, não só unir-mo-nos, mas sobretudo fazer-mo-nos próximos daqueles cuja face está desfigurada. O mal que cometemos, o mal que suportámos, as desfigurações infligidas pelo tempo, as preocupações, as desilusões, os «tabefes» - se ouso dizer – da existência, acabam por nos associar, tanto ainda de bastante longe,tanto de muito perto à face ultrajada de Jesus. Face ultrajada e no entanto «Face adorável».
No Monte Tabor, Jesus anuncia que deverá passar pela Cruz para ressuscitar: cada Sexta-feira Santa, paramos neste aspecto sofredor das nossas vidas que nos prega com Jesus na Cruz. O sofrimento não salva por ele mesmo. É um abuso, ou uma força de expressão pretender que assim seja. É quando o sofrimento é atravessado, suportado, motivado pelo amor, como Jesus dando a sua vida na Cruz, que pode desembocar numa nova vida, que falta ainda inventar, mas que não queremos renunciar a que tenha uma possibilidade real: é isso a fé! Nós cremos na vida eterna, o que não é exactamente a mesma coisa que saber que há uma vida eterna. A fé é um salto, como diz Bento XVI, é um limiar que o dom gratuito de Deus nos permite transpor, mesmo na parte mais obscura das nossas vidas.
Traduzido de
http://www.retraitedanslaville.org por Ana Loura
quinta-feira, 8 de março de 2012
Retiro na cidade - Deus,em revelações fugazes
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A palavra de Deus
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quarta-feira, 7 de março de 2012
Retiro na cidade (dominicanos) - Não há dois amores
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terça-feira, 6 de março de 2012
Retiro na cidade(dominicanos) - Transfigurar a Quaresma
A palavra de Deus
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segunda-feira, 5 de março de 2012
Retiro dos Dominicanos - Transfigurar a carne
A Palavra de Deus
”O Seu rosto tornou-se brilhante como o sol”
Evangelho de Jesus Cristo Segundo São Mateus Cap 17, Vers 2
A meditação
A Quaresma apresenta-se, no seguimento do evangelho da Transfiguração como uma verdadeira e profunda transfiguração da carne.
Frequentemente, como cristãos, fazemos recair uma desconfiança quase espontânea sobre essa ideia de carne que associamos demasiado depressa, às ambiguidades da sensualidade. Grave erro! Na Epístola aos Romanos (Cap 8, Ver 1 a 17), a carne que São Paulo opões ao espírito não designa prioritáriamente a nossa psico-afectividade, mas acima de tudo, as forças que nos forçam a nos dobrarmos sobre nós mesmos, a nos separarmos dos outros, a nos desinteressarmos deles para nos centrarmos no «tudo para o ego», passe a expressão, da nossa vida!
Mas, uma nova Mamã coloca no mundo um pequeno ser de carne! Uma enfermeira alivia bem um rosto dorido pelo excesso de sofrimento! O rosto exprime a carne: o rosto que acariciamos, que cuidamos. Para ser autênticamente espiritual, a quaresma dos cristãos deva ser plenamente carnal – incluindo aí a vida do casal – a saber ,no respeito e na atenção que dão à carne do outro.
Jesus não lavou os pés dos seus discípulos (evangelho segundo João ,cap 13)? Eis um gesto ,ó tão afastado da nossa cultura moderna, gesto terrivelmente carnal mas definitivamente espiritual! E o mesmo Jesus não deixou a mulher de má vida lavar-lhe os pés com os seus cabelos e com perfume (evangelho segundo Lucas Cap 7, Vers 36 a 50)? Que admirável retribuição para a quaresma!
Traduzido de: www.retraitedanslaville.org traduzido por Ana Lourana Loura Ana Loura
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