Eu amo-Vos Jesus pela multidão que se abriga dentro de vós, que ouço, com todos os outros seres, falar, rezar, chorar, quando me junto a Vós.
TEILHARD DE CHARDIN

segunda-feira, 5 de março de 2012

Retiro dos domicanos on line



Foto de Marlene Martins

Da morte  à vida


A Palavra de Deus
« Levantai-vos e não tenhais medo! »
Evangelho de Jesus Cristo segundo São Mateus, Cap 17, Vers 7

A meditação

Cara de quaresma! É a reputação de muitos dos cristãos durante o tempo litúrgico que vivemos. Enquanto que! Enquanto que o Evangelho de hoje nos apresenta, sobre a montanha de Tabor, um homem revestido de vestes resplandecentes que atrai à sua volta os seus melhores amigos: há verdadeiramente quaresmas que não o mostram! A maior parte do tempo, compreendemos a quaresma como um esforço de contenção do carnal, a fim de libertarmos o espiritual, segundo uma lógica inversa da incarnação. Mas lembremo-nos de Jesus nas Bodas de Cana! Sem fazermos dele um comilão, não podemos deixar de constatar que Jesus gostava de criar alegria e partilha-la em torno de um banquete, celebrando a união de dois seres que se davam um ao outro.

A cena da Transfiguração, não é uma cena de uma sala de espectáculos onde admiramos um ídolo. Não é nem o Zénite nem mesmo uma catedral! A cena da transfiguração tem no seu centro, no seu coração, a mensagem completa da Revelação cristã, já que Jesus, o Amigo divino, pede aos seus discípulos, àqueles a quem irá em breve chamar seus amigos que se levantem:


«Levantai-vos! Não tenhais medo!» É o que lemos no Evangelho paralelo de Mateus (Cap 17, Vers 7). A transfiguração levanta o véu sobre um mistério que esconde de forma ainda mais profunda o que Pedro, Tiago e João acabam de aprender sobre Jesus: Ele é o Filho bem-amado. Impossível domina-lo, , impossível de entender todo o seu sentido montando três tendas confortáveis, só porque é bom ficar ali! Os discípulos e mesmo nós, depois deles, somos convidados a alegrarmo-nos por podermos beber da fonte e a alegrarmos-mo-nos mais ainda por não esgotarmos essa divina fonte, como ainda por  relançar o nosso desejo de Deus: «a minha alma tem sede…», canta o salmista.

Transfigurar a vida do nosso próximo, é ajudá-lo a levantar-se, quer dizer, fazê-lo conhecer o seu verdadeiro rosto, mudar a sua máscara vermelha de dor, a sua máscara cinzenta devido à depressão, a sua máscara negra de morto- vivo, em «vida-sabedoria» pacificada por uma luz ainda nunca reconhecida: é o dom, é a troca  que temos que fazer, que viver, uns em proveito dos outros.

O que haverá de mais importante? Que haverá de mais salutar que o Evangelho da Transfiguração pois anuncia a salvação em decurso, para que a vida se carregue de vida! Hoje, transfigurar, é erguer o corpo do meu irmão quando esse corpo está apavorado, em luta com  todas as angústias da vida: «levanta-te, meu amigo! Não tenhas medo!»


É unicamente por essa razão que a Igreja de Deus mostra ainda e sempre o corpo de Jesus, esse corpo entregue para saciar gratuitamente todos os esfomeados: é o corpo que somos todos e cada um: olhemo-nos! Este corpo de Cristo é este corpo que nós somos nas nossas assembleias cristãs. Esse Jesus é o nosso verdadeiro rosto. Ele é a nossa verdadeira imagem chamada à transfiguração pois, desde o nosso baptismo, somos todos portadores da veste branca dos eleitos de Deus, que vestiremos ainda no dia do Apocalipse: a veste branca dos que a terão lavado no Sangue do Cordeiro (Livro do Apocalipse, Cap 7, vers 14)

O sacramento da Eucaristia representa em si cada uma das etapas: é memória da libertação da servidão da existência no dia do baptismo, é memória celebrada hoje para levantar o véu sobre o Reino de Deus que virá.

Neste momento, não deixemos passar o tempo dos sinais, aqueles que devemos trocar entre amigos: construamos hoje montes «Tabor»! Convidai os nossos amigos, convidemos aqueles que ficam lá para trás, os que não ousam avançar: nada de delito de aparência! É o tempo em que todos os rostos se revelam a eles mesmos! Nada de delito dos  maus costumes! É o tempo da amizade com a mulher com cinco maridos! Convidai! A Igreja não será nunca demasiado ampla! Convidai! Como Pedro, Tiago e João, vós querereis construir tendas, e como para Pedro, Tiago e João, estas modestas construções, mesmo que se trate de catedrais, não domesticarão o Deus que vos aponta o Reino que vem!

Traduzido de: www.retraitedanslaville.org por Ana Loura

quinta-feira, 1 de março de 2012


Retiro na cidade - 9-Entrar na terra

Pormenor de As tentações de Cristo de Sandro Boticcelli


Entrar na terra

A Palavra de Deus

«Tu amaste, Senhor, esta terra»
Salmo 85, Ves 2

A meditação


Depois da fome, o diabo muda de forquilha para submeter Jesus a uma outra tentação. Propõe-lhe que se atire do alto do templo, já que Deus enviará os Seus anjos para o levarem nas mãos. Se ele for verdadeiramente o Filho de Deus, não arrisca nada. Para provar a sua confiança em Deus, será preciso que coloque em jogo a sua vida, esquecendo um pouco que é um homem.

Se isso é ser um mártir, fazer sacrifício da sua vida, isso parece estar reservado a alguns, pouco à vontade na sua humanidade, que poderiam abandonar sem arrependimentos. Mas esse não é o nosso caso, nem mesmo o de Jesus. Ainda que Jesus tivesse a cabeça no céu, uma proximidade particular com o seu Pai, ele tinha também de certeza os pés e o coração assentes na terra.


Ele amou a sua terra, os nascer do sol sobre o lago Tiberíades, o calor do Verão. É neste amor que está enraizado o seu compromisso ao lado do seu Povo e de todos os homens, é porque ele estava em sua casa, na terra, que  era plenamente coerente de aí ficar até ao fim, não por heroísmo mas sim por fidelidade.


E nós, onde estamos nós na nossa terra? Não somente segundo os documentos oficiais, mas mais profundamente, mais espontaneamente, onde nos sentimos em nossa casa, onde podemos ser nós próprios, livremente? Será que encontrámos essa terra onde a vida adquire todo o seu peso? Antes de querermos dar a nossa vida, saberíamos dizer de onde a tirámos?


Traduzido de: www.retraitedanslaville.org por Ana Loura

Retiro dos Dominicanos-O paladar de Deus


Retiro na cidade-8- o paladar de Deus

Foto da net: O paladar de Deus

A Palavra de Deus

« Este é o meu corpo que é para vós. Fazei isto em memória de mim. »
Primeira carta do Apóstolo São Paulo aos Coríntios, Cap 11, vers 24

A meditação:

Depois do seu baptismo, o Espírito conduz Jesus para o deserto. Alí, ele conhece a fome e as tentações que vêm com ela: Porquê não mudar as pedras em pão? Colocando-lhe esta questão, o diabo sugere que a criação de Deus tem um problema, que ela é um obstáculo à vida do homem: seria mesmo muito simples se as pedras fossem comestíveis!

Para nós também, o jejum é um clássico dos esforços da quaresma, mas não o olhamos nós com os olhos do demónio, quer dizer como um meio de escaparmos às restrições que nos impõem o nosso corpo e as suas necessidades?

O jejum não vem negar a fome, mas revelá-la, ensina-nos que não comemos apenas para ficarmos saciados, mas para aguçar em nós o desejo de um verdadeiro, de um outro alimento.

Jesus resistiu às tentações no deserto, mas fez ainda melhor dando-nos a eucaristia: ele reconcilia em nós a fome corporal e a espiritual. Comer ou beber já não são distracção que nos afastam da nossa vocação, mas como indicadores directos do que nos alimenta realmente. O verdadeiro sacrifício, é reconhecer que a criação não é uma armadilha a evitar, mas um presente, a ocasião de reencontrar o seu Autor a cada garfada.

Traduzido de: http://www.retraitedanslaville.org por Ana Loura

Roteiro do cristão


1.  Orar antes de começar algum caminho.
2.  Acreditar sempre no que vai fazer ou planear.
2.  Acolher as suas limitações e pedir ajuda sempre que precise.
3.  Escutar os outros primeiro e depois então a si próprio.
4.  Nunca ter pressas a não ser o de amar e perdoar.
5.  Manter a calma em todos os momentos maus e bons.
5.  Ter sempre um lugar de reserva no coração para outros.
7.  Nunca carregar mais do que pode levar consigo.
8.  Atirar borda fora o peso das culpas, as suas e as alheias.
9.  Levar consigo a Palavra nos gestos, nas palavras e na vida.
10. Nunca tentar subir mais alto do que pode nas suas forças.
11. Levar um coração que sabe escutar o silêncio.
12. Levar duas mudas de roupa, a humildade, e a paciência.
13. Saber voltar para trás se esse caminho não é o seu.
14. Procurar sempre um porto seguro, o colo do Pai.
vp

quarta-feira, 29 de fevereiro de 2012

terça-feira, 28 de fevereiro de 2012


Retiro na cidade A tentação do sacrifício


Foto da net http://maxitugolandia.blogspot.com/2011/06/km-pelo-norte.html
A tentação do sacrifício - 7
A palavra de Deus
Tu não pedes nem holocaustos nem victimas, então eu disse: «eis-me aqui»
Salmo 39, vers 7-8
A meditação
É preciso desconfiarmos do sacrifício.
Porque em cada uma das nossas acções, somos facilmente tentados a fazer rodar o mundo apenas à nossa volta. O sacrifício torna-se então numa competição com nós mesmos, a ocasião de focalizarmos o nosso olhar em nós mesmos, de nos felicitarmos pelas nossas façanhas, e nos lamentarmos pelos nossos desaires. É o complexo do caracol que se enrola em si mesmo, e perde todo o contacto com o mundo exterior
É preciso que desconfiemos também pois, mesmo que mantenhamos o contacto com Deus, se fazemos os nossos sacrifícios por ele, a tentação subsiste de uma relação comercial com ele. Deus torna-se como um dos nossos fornecedores, ele permite-nos que atinjamos os nossos objectivos no domínio espiritual.
Finalmente, ele fica a ser apenas um distribuidor de graças, para o qual bastará deslizar a moeda do nosso sacrifício.
Sair desta tentação, é darmo-nos conta de que Deus não precisa dos nossos sacrifícios, que os sacrifícios não servem para nada. Mas um ser humano faz apenas coisas úteis? Porque somos criados às imagem de Deus, podemos por vezes ter vontade de actos de generosidade gratuita, desmesurada, que não procura ser rentável nem razoável. Tornando-nos como o prolongamento da generosidade de Deus, podemos experimentar a liberdade de fazer aquilo para o qual fomos feitos.

Traduzido de: http://www.retraitedanslaville.org/ por Ana Loura

Retiro dos Dominicanos - Sacrificar os sacrifícios

Retiro na cidade - 6
A Palavra de Deus
« Quero o amor e não o sacrifício. »
Evangelho de Jesus Cristo segundo São Mateus, Cap 9, vers. 13
A meditação
Jesus disse-o claramente, o que Deus espera dos homens não são sacrifícios. Ele não quer este ou aquele presente, ele não nos obriga a esta ou aquela privação. Na nova relação que Jesus vem criar entre Deus e os homens, o sacrifício está fora de questão. E nós estamos perfeitamente de acordo com ele!
Com outras designações, a realidade torna-se portanto numa experiência quotidiana. Para os pais por exemplo, que estão prontos a fazer sacrifícios, e que os fazem concretamente pelos seus filhos, pela educação deles, para os tornarem felizes. Por cada um de nós também, ainda que um pouco misteriosamente, fazendo esforços, dando-nos problemas, sentimo-nos existir.
Será preciso, pois, sacrificar os sacrifícios? Desembaraçarmo-nos deles, como de uma coisa de perniciosa que nos impede de desabrochar? Podemos sonhar com isso. Mas Jesus não funciona nunca desse modo. Não faz tábua rasa nas nossas vidas, ele não suprime o que existe para o substituir por alguma coisa nova, de estranha. Ele endireita pelo contrário o que somos, ele repõe cada coisa no seu lugar para que a vida circule de novo.
O sacrifício pode assim ser transformado, para deixar de ser um fim em si, mas um momento na expressão de um amor pronto a enfrentar os obstáculos, a empenhar-se fisicamente, a fazer tudo o que pode para ver realizados os seus projectos.
Traduzido de www.retraitedanslaville.org por Ana Loura