Eu amo-Vos Jesus pela multidão que se abriga dentro de vós, que ouço, com todos os outros seres, falar, rezar, chorar, quando me junto a Vós.
TEILHARD DE CHARDIN

domingo, 26 de fevereiro de 2012

Retiro dos Dominicanos-O Dom das lágrimas


imagem da net
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« Felizes vós os que chorais agora,
pois rireis ».

Evangelho de Jesus Cristo segundo São Lucas, Cap 6 Vers 21

A meditação

Mais vale mais prevenir que remediar: Muito amável da parte de Deus
 em prometer vir secar as minhas lágrimas,mas a minha preocupação
é acima de tudo evitar os desgostos.
 Por outro lado a experiência é clara: ter confiança é expormo-nos
 a todas as desilusões, enquanto que, com a desconfiança
 não somos nunca decepcionados. O segredo seria portanto
ter toda a gente afastada do meu coração demasiado sensível.
 Um segredo muito bem conhecido dos utilizadores do metro,
onde os corpos tão próximos, numa carruagem cheia,
 se esforçam por manter, através dos rostos fechados,
a maior distância possível entre os corações.
Sobretudo não estabelecer relações: não sabemos
o que poderá acontecer…A traição dolorosa de um amigo
ensinou-me a tornar-me prudente, a não me entregar.
 Mesmo quando exactamente quero abrir o meu coração,
já não encontro a chave.

Pelo menos eu não sofro. Mas a minha tranquilidade parece-se
à paz dos cemitérios. Deus não oferece esse tipo de segurança.
 Mas o seu amor por mim está para além do entendimento
dos homens. A minha crença, a mais profunda,
a de não ser amado, dissipa-se: é o amor sem condições,
nada me poderá separar dele. O essencial está ao abrigo,
e poderei assim avançar sem desconfiança
na direcção dos outros. Já não tenho medo deles.
 Podem ainda fazer-me mal, claro,
 mas nenhuma ferida de amor me será mortal.
A certeza desse amor sempre dado,
sempre acessível, mudará pouco a pouco
o meu coração de pedra, coberto do seu escudo
de protecção, num coração de carne:
um coração capaz de chorar, porque corre o risco de amar.

Tradução de Ana Loura

sábado, 25 de fevereiro de 2012

Retiro on line

Retiro na cidade - 2


Sobre um mal-entendido
«Bem-aventurados são os pobres pois é deles o Reino de Deus»
Evangelho de Jesus Cristo segundo São Lucas, Cap 6, vers 20
O dinheiro não faz a felicidade, toda a gente sabe isso; mas o que os pobres sabem muito bem, também, é que a miséria tampouco a faz. Jesus não é a vítima de uma ilusão romântica: o que nos faz felizes, não é a pobreza; é o Reino de Deus – mas são os pobres que o possuem. Pobres, quer dizer aqueles que são desprovidos das seguranças reconfortantes do mundo, privados do supérfluo que ocupa o coração em vez de o preencher. É preciso isso exactamente para ousar fundar a nossa felicidade sobre esta verdade simples: Deus ama-me infinitamente, sem condições. Este tesouro está ao abrigo das crises, e o nosso próprio pecado não no lo pode esconder: se nós o rejeitarmos, ele não estará nunca mais longe do que à porta do nosso coração.
Mas nós temos recebido bastante correio ou e-mails enganadores, prometendo-nos ganhos mirabolantes em lotarias imaginárias ou improváveis heranças exóticas, para não recebermos com prudência o tesouro de um Deus que ama gratuitamente. Seria mais reconfortante ter primeiro merecido este amor pelas nossas boas acções: o nosso pecúlio não seria talvez muito grande, pois nem sempre agimos bem, mas pertencer-nos-ia verdadeiramente; tê-lo-íamos ganho com o suor do nosso rosto, e não recebido por um mal entendido.
Deus não me ama pelo que faço de bom, mas por uma razão muito melhor, que nada tem a ver com mal entendidos: Ele ama-me porque sou quem sou, porque eu sou alguém infinitamente amável. E se me acontece muitas vezes duvidar disso, Deus, ele mesmo sabe-o bem: ele me conhece como se Ele me tivesse feito.
Traduzido de: http://www.retraitedanslaville.org/
Traduzido por Ana Loura

Retiro on-line

Retiro na cidade 1

Foto da net
Alta tensão
“Muitos perguntam: «quem nos fará ver a felicidade?»
Que o vosso rosto se ilumine sobre nós, Senhor”
Salmo 4, vers 7
A chave do paraíso, é o quiosque dos jornais. É impossível duvidarmos disso se levarmos a sério os títulos das revistas que a cada semana prometem revelar-nos, apenas por alguns euros, os segredos da vida florescente, equilibrada e radiosa; a fórmula da felicidade é muito simples: é suficiente ir ler os conselhos da página 5. Uma coisa é, em todo o caso, certa: Quarta-feira de Cinzas, que marca hoje a nossa entrada no tempo de Quaresma, não figura nestas receitas de felicidade! Sem dúvida não serei o único a vê-la voltar, todos os anos, com um pouco de apreensão, talvez desânimo. Não será, porém, a oportunidade que eu esperava para voltar para Deus, para colocar alguma ordem na minha vida dispersa, finalmente, para me ocupar finalmente do essencial? Eu quero muito fazer o bem, não ficar surdo ao apelo de Cristo.Eu quero tanto ter sucesso na minha Quaresma! Conseguir rezar com mais regularidade, prestar serviço aos outros, ler muito mais o Evangelho, ficar muito mais disponível para o meu próximo, renunciar ao supérfluo, dar esmolas, acabar com as minhas pequenas tramóias com a verdade, resistir à cólera… A lista do que eu gostaria de fazer é tão extensa! E eis-me diante da Quaresma como diante a um perigoso exercício de trapézio: tenho vertigens. Estarei eu enfim à altura do que Deus espera de mim?
Eu sei bem que a tarefa é demasiado difícil para mim. Já, no ano passado, e o ano anterior, os mesmos esforços sinceros não produziram senão um resultado decepcionante, muito longe das exigências radicais do Evangelho. Podem perfeitamente falar-me de santos, ou de cristãos heróicos que, trapezistas pródigos, se tornaram em figuras acrobáticas espantosas, com destreza e flexibilidade. Sei perfeitamente que eu, mesmo com muito treino, não conseguirei jamais.
Então, para que tentar? Se é para festejar a Páscoa tendo por única bagagem esperanças frustradas e um vago sentimento de culpa…Eis-nos em todo o caso muito longe da felicidade que nos é proposta pelos semanários, e a promessa de Jesus nos parece soar-nos com uma ironia cruel: «eu vim para que tenhais vida e a tenhais em abundância.»

Excepto para levar Jesus à letra. Talvez pudéssemos viver esta Quaresma, não como um caderno de exercícios impossível de preencher. Mas como um tempo de férias, um presente que Deus nos faz, o presente de uma vida plena, feliz, realizada. Não fazermos a “Quaresma”- como quem faz os seus deveres- mas recebê-la. Mais do que procurar realizar o que dará prazer ao bom Deus, eu posso aproveitar este tempo em que Deus se vai ocupar muito especialmente de mim, conduzir-me com paciência, falar-me e amar-me. Todo o meu esforço será então deixá-lo agir, daixá-lo dar-me, deixá-lo dar-se-me. Será preciso renunciar, claro, a essa perfeição que eu sonho adquirir à força do pulso. Mas, será esta a perfeição que Deus quer para mim? Não será em vez disso a santidade, quer dizer a vida com Ele?
Esta via é evidentemente mais simples, e provavelmente mais eficaz que a primeira: se Deus toma as coisas nas Suas mãos, sem dúvida conseguirá melhor do que eu. Será que esta hipótese é mais fácil? Não estejamos assim tão certos. Pois se Deus não me pede que realize acrobacias extraordinárias, conseguidas nos fim de treinos intensivos, levando-me a cada dia mais alto de trapézio em trapézio, ele espera de mim uma coisa muito simples, para a qual preciso apenas de um instante, mas mais exigente que tudo o resto: que eu me deixe cair nos Seus braços.
Traduzido de: http://www.retraitedanslaville.org/ (Dominicanos de Lille)

traduzido por Ana Loura

sábado, 11 de fevereiro de 2012

O amor-perfeito


18 No amor não há temor. Antes, o perfeito amor lança fora o temor, porque o temor envolve castigo, e quem teme não é perfeito no amor.I João,4

quinta-feira, 9 de fevereiro de 2012

Não consegue ficar escondido

Mas não conseguia ficar escondido.Marcos 7,24


Também hoje Jesus não consegue ficar escondido,em tantos que se cruzam nos nossos caminhos e que povoam os dias do nosso desassossego, porque esperam de nós refúgio e consolação.

terça-feira, 7 de fevereiro de 2012

...o mesmo amor

Durante a Última Ceia, antes de deixar os seus amigos e voltar para o Pai, Jesus quis ligá-los estreitamente a Si e entre eles com o vínculo mais sólido e duradoiro que existe: o amor. Ele amou «até ao extremo» ,com o amor máximo, que chegou ao ponto de «dar a vida». Em troca, pediu para ser amado por eles com o mesmo amor.

O amor que Jesus pede não é um simples sentimento, é fazer a Sua vontade, descrita nos Seus mandamentos: sobretudo o amor aos irmãos e o amor recíproco. É uma verdade de tal modo importante para Jesus, que, neste seu último discurso, dirigido aos discípulos, a repete mais três vezes, com força: «Quem recebe os meus mandamentos e os observa, esse é que me tem amor»; «Se alguém me tem amor, há-de guardar a minha palavra»; «Quem não me tem amor não guarda as minhas palavras»

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Quem o compreendeu muito bem foi o P.e Dario Porta, sacerdote de Parma (Itália) que morreu na Quinta-Feira Santa de 1996. Se nos primeiros anos de sacerdócio ele tinha vivido de modo notável o seu relacionamento com Deus, mais tarde descobriu melhor que Jesus devia ser visto em cada próximo e, amar evangelicamente, tornou-se a sua paixão. Para permanecer fiel a este seu propósito, ele esteve cada vez mais atento aos outros, adiando os seus programas pessoais, até escrever, um dia, no seu diário: «Compreendi que a única coisa que, no fim, se desejaria ter feito é ter amado o irmão» .
Todas as noites também nós, como ele, podemos interrogar-nos: «Amei sempre os irmãos?».
Chiara Lubich



segunda-feira, 6 de fevereiro de 2012

Esperar contra toda a esperança

 Os versos nascem da alma
Num fluir de mágico talento
Dom divino que nos acalma
Nas horas cortantes do desalento...


Nesta Primavera tão esperada e tão adiada alguma pobre folhinha de um verde tenro-um versinho- faz a diferença!!