Eu amo-Vos Jesus pela multidão que se abriga dentro de vós, que ouço, com todos os outros seres, falar, rezar, chorar, quando me junto a Vós.
TEILHARD DE CHARDIN

terça-feira, 7 de fevereiro de 2012

...o mesmo amor

Durante a Última Ceia, antes de deixar os seus amigos e voltar para o Pai, Jesus quis ligá-los estreitamente a Si e entre eles com o vínculo mais sólido e duradoiro que existe: o amor. Ele amou «até ao extremo» ,com o amor máximo, que chegou ao ponto de «dar a vida». Em troca, pediu para ser amado por eles com o mesmo amor.

O amor que Jesus pede não é um simples sentimento, é fazer a Sua vontade, descrita nos Seus mandamentos: sobretudo o amor aos irmãos e o amor recíproco. É uma verdade de tal modo importante para Jesus, que, neste seu último discurso, dirigido aos discípulos, a repete mais três vezes, com força: «Quem recebe os meus mandamentos e os observa, esse é que me tem amor»; «Se alguém me tem amor, há-de guardar a minha palavra»; «Quem não me tem amor não guarda as minhas palavras»

.......  
Quem o compreendeu muito bem foi o P.e Dario Porta, sacerdote de Parma (Itália) que morreu na Quinta-Feira Santa de 1996. Se nos primeiros anos de sacerdócio ele tinha vivido de modo notável o seu relacionamento com Deus, mais tarde descobriu melhor que Jesus devia ser visto em cada próximo e, amar evangelicamente, tornou-se a sua paixão. Para permanecer fiel a este seu propósito, ele esteve cada vez mais atento aos outros, adiando os seus programas pessoais, até escrever, um dia, no seu diário: «Compreendi que a única coisa que, no fim, se desejaria ter feito é ter amado o irmão» .
Todas as noites também nós, como ele, podemos interrogar-nos: «Amei sempre os irmãos?».
Chiara Lubich



segunda-feira, 6 de fevereiro de 2012

Esperar contra toda a esperança

 Os versos nascem da alma
Num fluir de mágico talento
Dom divino que nos acalma
Nas horas cortantes do desalento...


Nesta Primavera tão esperada e tão adiada alguma pobre folhinha de um verde tenro-um versinho- faz a diferença!!

terça-feira, 31 de janeiro de 2012

Oferecer-mo-nos a nós mesmos...


Como aos pastorinhos de Fátima é-nos perguntado:

Quereis oferecer-vos a Deus?

(fotos no santuário de Fátima)

quinta-feira, 26 de janeiro de 2012

Em Ti,Senhor!

Em Ti, Senhor, depositei a minha esperança, 
em Ti está o meu coração, 
por isso, o Céu é meu e minha é a terra.
Em Ti, Senhor, pus os meus projectos. 
Em Ti guardei os meus êxitos. 
Por isso, minhas são as gentes, 
 os justos são meus e meus os pecadores. 
Em Ti, Senhor, dei tudo quanto possuía.
Em Ti renunciei a tudo onde não Te percebia. 
Por isso, o próprio Deus é meu e para mim, 
porque Cristo é meu e todo para mim. 
Louvado, sejas, meu Senhor 

S.João da Cruz

segunda-feira, 23 de janeiro de 2012

Orar continuamente


Tu serás monge,
se tiveres o desejo de orar continuamente.

Mesmo que ores materialmente a todas as horas,
sem esse desejo de orares continuamente, tu não oras.

Mas, se rezares apenas um quarto de segundo por hora
com esse desejo lancinante de orar sempre, és um monge.
Pouco importa que estejas num mosteiro ou em pleno mundo,
imerso numa vida activa: tu vives o monaquismo interiorizado.

Dito isto, esse desejo pode ser desesperado.
Muito poucos homens se sentem capaz disso (...)
A sua execução é uma outra coisa.

DEVES SER LOUCO NOS TEUS DESEJOS
E PRUDENTE NA SUA REALIZAÇÃO.
TU VALES O QUE VALE O TEU DESEJO.

in "Rezar com o coração", Jean Lafrance


domingo, 22 de janeiro de 2012

O encontro de duas sedes

Muitas vezes as sagradas Escrituras nos falam da sede de Deus.De uma forma ardente ,os salmistas e os profetas encontraram as formas mais significativas de exprimir como os filhos do homem sentem intensamente a saudade de Deus.

A minha alma tem sede de Deus, do Deus vivo; quando irei contemplar a face de Deus? (Sl 41,3)

Ó Deus, vós sois o meu Deus, com ardor vos procuro. Minha alma está sedenta de vós, e minha carne por vós anela como a terra árida e sequiosa, sem água. (Sl 62,2)

Estendo para vós os braços; minha alma, como terra árida, tem sede de vós. (Sl 142,6)

Por vezes a nossa terra árida não compreende ou não aceita a verdadeira causa de estar sequiosa.E na busca de sucedâneos o nosso eu profundo desgasta-se e perde-se.

"Porque meu povo cometeu uma dupla perversidade: abandonou-me, a mim, fonte de água viva, para cavar cisternas, cisternas fendidas que não retêm a água". (Jr 2,13)

Mas a nossa sede não é única.O nosso Deus é um Deus envolvente.Também Ele, desde sempre, tem sede de nós.Não aceita a nossa demissão,os nossos abandonos.Pacientemente procura cada um de nós,como o mais amorável dos pais.

E no encontro, não cobre o filho extraviado apenas de beijos e abraços.Oferece os dons grandiosos que Jesus descreve com imagens das mais lindas que a visão humana pode atingir:

…mas o que beber da água que eu lhe der jamais terá sede. Mas a água que eu lhe der virá a ser nele fonte de água, que jorrará até a vida eterna". (Jo 4,14)

"Quem crê em mim, como diz a Escritura: Do seu interior manarão rios de água viva (Zc 14,8; Is 58,11)". (Jo 7,38)

Na verdade,quem não se extasiou perante uma cachoeira ou uma cascata em que a poalha irisada de luz reveste a água com mil reflexos de um esplendor magnifico,que o Apocalipse descreve com palavras fortes e belas..


"Novamente me disse: Está pronto! Eu sou o Alfa e o Ômega, o Começo e o Fim. A quem tem sede eu darei gratuitamente de beber da fonte da água viva". (Ap 21,6)

"Mostrou-me então o anjo um rio de água viva resplandecente como cristal de rocha, saindo do trono de Deus e do Cordeiro". (Ap 22,1)



Senhor,faz-nos compreender que apenas a tua água viva pode saciar a nossa sede! Senhor,faz que a minha e a tua sede se encontrem no abraço , que anuncia as núpcias eternas!

sábado, 21 de janeiro de 2012

Dai-nos ,Senhor,um coração que perdoe




Uma das marcas fortes do cristão é ter o poder de perdoar.Um poder-dever que o coloca,mais uma vez,na dimensão divina.A sua relação com Deus faz exigência dessa prova para o  tornar herdeiro da promessa de vida eterna.

Na verdade a Palavra coloca-nos frente a um desafio, que compromete a nossa vida e o nosso futuro.O perdão do Pai fica dependente do nosso próprio perdão. (Mc 11,26 - Mas se não perdoardes, tampouco vosso Pai que está nos céus vos perdoará os vossos pecados.)

Sabemos que é um desafio que supera em muito a nossa natureza humana, tão apta a responder, da mesma maneira, à ofensa que lhe é feita.Quantos de nós não experimentou aquela avassaladora onda que  aquece o sangue e perturba a visão e nos quer lançar na resposta adequada ao que nos foi feito,reflexo do que encontramos expresso na lei antiga. (19. Se um homem ferir o seu próximo, assim como fez, assim se lhe fará a ele: 20. fractura por fractura, olho por olho e dente por dente; ser-lhe-á feito o mesmo que ele fez ao seu próximo;Lv 24)

Assim,pois,o perdão que nos é pedido como condição, para sermos perdoados, não é um sentimento ou uma emoção, mas uma decisão que vamos tomar quando aderirmos à Pessoa de Jesus,à Sua mensagem.( 38. Tendes ouvido o que foi dito: Olho por olho, dente por dente. 39. Eu, porém, vos digo: não resistais ao mau. Se alguém te ferir a face direita, oferece-lhe também a outra.Mat 5).

E quantos seguiram Jesus,que pendurado no madeiro da cruz,entre sofrimentos inomináveis, apenas tinha atitudes de perdão (E Jesus dizia: Pai, perdoa-lhes; porque não sabem o que fazem. Eles dividiram as suas vestes e as sortearam". Lc 23,34)

Deles,lembremos Estêvão, brilhante o semblante pela Presença, que perdoava por entre as pedradas que lhe abriam dolorosas feridas na carne (59. E apedrejavam Estêvão, que orava e dizia: Senhor Jesus, recebe o meu espírito. 60. Posto de joelhos, exclamou em alta voz: Senhor, não lhes leves em conta este pecado... A estas palavras, expirou.Act 7) e mais recentemente (1996) os sete mártires ,monges trapistas na Argélia,tendo escrito um deles o Irmão Christian de Chergé , ao sentir aproximar-se a hora última da sua morte, pelo amor do Evangelho: 
“Gostaria que, quando vier o tempo, ter o momento de lucidez
que me permitirá pedir o perdão de Deus
e de todos os seres humanos meus amigos, e ao mesmo tempo perdoar com todo meu coração aquele que me matará.”

Mas ,se nas nossas vidas não formos chamados ao testemunho de sangue, a entrega a Cristo faz-nos passar por muitas situações em que somos chamados a atitudes diárias de perdão, no nosso trabalho,na nossa casa,no convívio diário com quem nos rodeia ,testemunhando que a misericórdia e o perdão de Deus, se mostra ao mundo,através da nossa própria capacidade de os fazer transparecer   .